Caso de intoxicação pela planta Cycas revoluta, reacende o alerta sobre plantas tóxicas comuns em jardins e condomínios; especialistas explicam os riscos e orientam sobre os primeiros passos diante de uma suspeita de ingestão
Mais uma família enfrenta a perda de um cão depois que o animal ingeriu uma planta tóxica comum em jardins, condomínios e praças de todo o país. O caso reacende um alerta já registrado anteriormente, com outro cão vítima da mesma espécie há mais de um ano, e que segue pouco conhecido pelos responsáveis pelos animais no Brasil.
Em um condomínio residencial de Sorocaba, no interior de São Paulo, o labrador Atlas, de apenas 1 ano, passeava normalmente pelo espaço comum quando encontrou, no chão, a semente alaranjada e avermelhada de uma Cycas revoluta, planta popularmente conhecida como cica ou sagu-de-jardim. O cão estava na fase final de formação para se tornar cão-guia de pessoas com deficiência visual e vivia com uma família voluntária, etapa que antecede o treinamento especializado.
Menos de uma hora após a ingestão, os primeiros sintomas de envenenamento já haviam se manifestado. Apesar do atendimento médico veterinário imediato, a intoxicação evoluiu rapidamente e o animal não resistiu.
Em São Paulo, no ano passado, um episódio semelhante vitimou o labrador Pudim, de nove anos. O cão passou mal após ingerir uma planta em um canteiro próximo à casa da responsável, e morreu poucos dias depois em decorrência de falência hepática.
O cão começou a apresentar sintomas no dia seguinte à ingestão, como falta de apetite e urina em tom amarelo escuro. A família só descobriu depois que a planta era venenosa e que não havia nenhuma sinalização de risco no local. A espécie ingerida por Pudim também foi identificada como Cycas revoluta.
Por que a cica é tão perigosa
Todas as partes da planta são tóxicas, mas as sementes concentram a maior quantidade de veneno e costumam ser as mais atrativas para os cães, por sua aparência semelhante a pequenos frutos ou coquinhos. A substância responsável pelos danos é a cicasina, que ataca diretamente as células do fígado.
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Não existe antídoto específico contra o veneno da cica. Uma vez ingerida a semente ou outra parte da planta, o quadro pode evoluir rapidamente para insuficiência hepática, o que explica o alto índice de mortalidade registrado em casos de ingestão.
Sintomas que pedem atenção imediata
Os sinais de intoxicação costumam aparecer poucas horas após o contato com a planta e incluem vômitos, que podem conter sangue, diarreia, salivação excessiva, falta de apetite, fraqueza e apatia. Em quadros mais avançados, podem surgir icterícia, tremores e convulsões, sinais de que o fígado já está seriamente comprometido.
Outras plantas que também representam risco para cães e gatos
Além da cica, especialistas apontam outras espécies comuns em casas e jardins que merecem atenção dos responsáveis pelos animais: comigo-ninguém-pode, rica em oxalato de cálcio e capaz de causar edemas e asfixia; copo-de-leite, de toxicidade mais baixa, mas com sintomas semelhantes; antúrio, que provoca diarreia, vômitos e inchaço de lábios e garganta; aloe vera, que apesar do uso medicinal em humanos pode causar letargia, diarreia e alterações na urina dos pets; azaleia, associada a alterações cardíacas e distúrbios digestivos; bico-de-papagaio, cuja seiva provoca lesões de pele só pelo contato; lírio, que compromete a respiração e a função renal; espada-de-são-jorge, que causa irritação de mucosas e dificuldade respiratória; e violeta, que pode levar a quadros de gastrite e depressão circulatória.
Mamona, jiboia, alamanda, coroa-de-cristo e cambará completam a lista de espécies consideradas de risco.
O que fazer diante de uma suspeita de intoxicação
Diante de qualquer sinal de intoxicação, a orientação é buscar atendimento médico veterinário imediatamente, sem tentar induzir vômito ou administrar qualquer medicamento por conta própria. Quanto mais rápido o animal for socorrido, maiores as chances de reverter o quadro antes que o fígado seja comprometido de forma irreversível.
A prevenção, no entanto, segue sendo a principal ferramenta de proteção: identificar e remover espécies tóxicas do alcance dos animais, redobrar a atenção durante passeios em áreas comuns de condomínios, parques e praças, e buscar orientação sobre quais plantas são seguras antes de cultivá-las em casa.


