Colostro é fundamental para formar a imunidade dos filhotes e especialistas alertam que a amamentação pode definir a saúde do animal por toda a vida
Quando se fala em Agosto Dourado, a primeira associação costuma ser a importância da amamentação humana. Mas esse cuidado também tem um papel decisivo no universo dos animais de companhia. Para cães e gatos, as primeiras horas após o nascimento representam uma verdadeira corrida contra o tempo, em que o leite materno, especialmente o colostro, pode fazer toda a diferença para a sobrevivência e o desenvolvimento saudável dos filhotes.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os filhotes não nascem com o sistema imunológico completamente preparado para enfrentar vírus, bactérias e outros agentes infecciosos presentes no ambiente. Em cães e gatos, a passagem de anticorpos da mãe para os filhotes durante a gestação é extremamente limitada. Por isso, a principal proteção acontece somente depois do nascimento, por meio do colostro, o primeiro leite produzido pela fêmea.
Rico em anticorpos, proteínas, fatores de crescimento, vitaminas e substâncias bioativas, o colostro funciona como a primeira vacina natural dos filhotes. É ele que fornece a chamada imunidade passiva, protegendo o organismo enquanto o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
O mais importante é que esse benefício possui uma janela muito curta. Nas primeiras horas de vida, o intestino do filhote consegue absorver essas moléculas de defesa de forma eficiente. Com o passar do tempo, essa capacidade diminui rapidamente e praticamente desaparece até o primeiro dia de vida, tornando a amamentação imediata um fator decisivo para a saúde do animal.
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Foi exatamente essa orientação que mudou a experiência da administradora Fernanda Ribeiro, tutora da bulldog francesa Amora, que recentemente deu à luz uma ninhada de cinco filhotes.
Mesmo acompanhando atentamente o parto, Fernanda não imaginava que cada minuto faria diferença para o desenvolvimento dos recém-nascidos.
“Eu achava que o importante era apenas verificar se todos estavam mamando. O veterinário explicou que o colostro precisava ser ingerido o quanto antes e acompanhou cada filhote até ter certeza de que todos haviam conseguido mamar. Hoje entendo que aquele cuidado foi tão importante quanto o próprio parto”, relata.
Além da proteção imunológica, o leite materno fornece energia para manter a temperatura corporal dos recém-nascidos, favorece o desenvolvimento do intestino, contribui para a formação da microbiota intestinal e auxilia na maturação de diversos órgãos durante os primeiros dias de vida.
Os benefícios também se refletem no comportamento. A amamentação fortalece o vínculo entre mãe e filhotes, reduz o estresse neonatal e participa do desenvolvimento comportamental dos animais, favorecendo uma adaptação mais equilibrada nas primeiras semanas de vida.
Quando a amamentação natural não é possível, seja por rejeição da mãe, ausência de leite, complicações no parto ou outras condições clínicas, o acompanhamento veterinário torna-se indispensável. Existem fórmulas lácteas desenvolvidas especificamente para cães e gatos que conseguem suprir parte das necessidades nutricionais dos recém-nascidos. No entanto, especialistas alertam que nenhum substituto reproduz integralmente a composição imunológica do colostro materno.
A medicina veterinária tem avançado também na neonatologia, área dedicada ao cuidado dos recém-nascidos. Protocolos para assistência ao parto, monitoramento das primeiras mamadas, avaliação da transferência de imunidade e suporte intensivo aos filhotes têm contribuído para aumentar as taxas de sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos animais desde os primeiros dias.
Assim como acontece com os bebês humanos, a amamentação representa muito mais do que alimentação. Ela é um investimento biológico no futuro do animal. E, durante o Agosto Dourado, a campanha que incentiva o aleitamento materno também abre espaço para lembrar que, entre cães e gatos, as primeiras gotas de leite podem ser decisivas para uma vida mais longa, saudável e protegida.


