Réveillon pode ser fatal para pets: saiba como proteger os animais dos fogos de artifício

Apesar de proibição em várias cidades, fogos ainda causam mortes por ataque cardíaco e fuga; veterinária dá orientações essenciais para a noite de 31 de dezembro

 

A chegada do Ano Novo traz festa para uns e pânico para outros. Enquanto milhões de pessoas comemoram com fogos de artifício, tutores e pets vivem momentos de ansiedade e medo. Apesar de muitas cidades brasileiras já proibirem a queima de fogos com barulho, a legislação ainda é amplamente descumprida, e as consequências podem ser trágicas.

Todos os anos, animais morrem de ataque cardíaco provocado pelo estresse dos estrondos, muitos fogem desesperados e se perdem ou são atropelados, e inúmeros sofrem ferimentos ao tentar escapar por janelas, portões e muros. Sem falar nos animais de rua, que não têm ninguém para protegê-los nesses momentos de terror.

“A audição dos cães e gatos é muito mais sensível que a nossa. O que para nós é apenas barulho, para eles pode ser ensurdecedor e aterrorizante. Durante as festas de fim de ano, muitos animais acabam se machucando, ficam presos em janelas ou portões, fogem de casa e até correm o risco de se enroscar na coleira”, explica Camila Canno Garcia, médica veterinária da Petz.

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Por isso, mesmo que em sua região os fogos sejam silenciosos – ou mesmo que ninguém devesse soltar fogos –, é fundamental reforçar os cuidados para evitar estresse e fugas.

Nunca deixe o pet sozinho

A presença do tutor é fundamental em momentos de barulho intenso. Se o animal estiver sozinho, vai se sentir em perigo e pode tentar escapar desesperadamente, provocando acidentes graves.

“A presença do responsável também é fundamental para pets com epilepsia ou doenças cardíacas e pulmonares, já que o barulho pode ser um gatilho para uma crise convulsiva ou agravar quadros clínicos. Com o tutor por perto, o reconhecimento dos sinais de piora e o socorro adequado acontecem de forma muito mais rápida”, alerta Camila.

Crie um refúgio seguro

Prepare um ambiente específico para o pet ficar durante a queima de fogos. O local deve transmitir sensação de segurança e proteção, mostrando ao animal que o barulho está do lado de fora, longe dele.

Escolha um cômodo – pode ser um quarto, banheiro ou até um closet – com portas e janelas bem fechadas e cortinas cerradas. Segundo a veterinária, a adaptação do local pode ser feita alguns dias antes da virada:

  • Coloque petiscos, comida e água fresca
  • Deixe brinquedos favoritos do pet
  • Adicione uma peça de roupa sua com seu cheiro
  • Use feromônios para tornar o ambiente mais atraente e tranquilo
  • Ligue TV, música ou ventilador para abafar o som externo

“Manter uma atitude positiva e calma pode ajudar muito, já que o comportamento dos responsáveis reflete diretamente no comportamento do animal. Se você estiver ansioso, o pet vai perceber”, orienta Camila.

  • Reforce a segurança física
  • Antes da virada, tome precauções extras:
  • Verifique se portões, janelas e cercas estão bem fechados e sem brechas
  • Certifique-se de que a coleira está bem ajustada (nem apertada, nem frouxa demais)
  • Confira se a identificação do pet está atualizada (plaquinha com telefone e, se possível, microchip)
  • Evite deixar o animal no quintal ou em áreas abertas
  • Não force o pet a ficar em locais abertos durante os fogos
  • Avalie a necessidade de medicação

Para animais muito ansiosos, existem medicações que podem ajudar a acalmar e deixá-los mais tranquilos. “Existem várias alternativas de medicamentos para esses casos, mas é preciso ter cuidado. É crucial que o responsável consulte um veterinário de confiança para que ele possa avaliar a melhor opção, de acordo com o caso, saúde e individualidade do pet”, explica Camila.

Importante: nunca medique o animal por conta própria ou use remédios de humanos. Isso pode ser extremamente perigoso.

Treinamento ao longo do ano

Uma técnica preventiva que ajuda muito é acostumar os pets aos barulhos altos gradualmente. Segundo a veterinária, o ideal é expor o animal a vídeos e programas de TV com sons de fogos ou trovões ao longo do ano, em volume baixo e aumentando progressivamente.

“Durante esses momentos, dê carinho, petiscos e brinque com o pet, para que ele comece a associar ruídos altos com momentos gostosos e prazerosos ao seu lado. Mas isso não se dá de um dia para o outro – é um trabalho de dessensibilização gradual”, orienta.

E os animais de rua?

Para os animais que vivem nas ruas, a situação é ainda mais dramática. Sem proteção, eles correm riscos ainda maiores de atropelamento, ferimentos e morte por ataque cardíaco.

Se você se sensibiliza com a causa animal, considere:

  • Criar abrigos temporários na garagem ou área de serviço
  • Disponibilizar água e comida para animais de rua próximos
  • Evitar soltar fogos, mesmo os silenciosos
  • Conscientizar vizinhos e familiares sobre os impactos dos fogos nos animais

Um apelo pela mudança

Embora a legislação avance em muitas cidades, apenas a conscientização coletiva pode realmente proteger os animais. Fogos de artifício silenciosos são alternativas viáveis e já disponíveis no mercado.

“A festa não precisa incluir sofrimento animal. Podemos comemorar de forma responsável e inclusiva, pensando em todos os seres que dividem o planeta conosco”, finaliza a veterinária.

Neste Réveillon, proteja seu pet e, se possível, ajude a proteger também aqueles que não têm ninguém.

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