Países com mais gatos são mais felizes? Estudo com 93 nações aponta relação curiosa

Pesquisa internacional encontrou mais bem-estar onde há mais felinos e uma surpresa envolvendo a toxoplasmose, doença associada aos gatos

 

Quem convive com um gato costuma jurar que ele deixa a casa mais leve. Agora, a ciência resolveu testar essa ideia em uma escala bem maior: a de países inteiros. Um estudo publicado na revista científica PLOS One comparou dados de 93 nações e encontrou um padrão curioso: onde há mais gatos, as pessoas tendem a se declarar mais felizes.

A pesquisa foi liderada pelo biólogo mexicano Javier I. Borráz-León, do Instituto Nacional de Psiquiatria Ramón de la Fuente Muñiz, com a participação de cientistas de outros países, entre eles Dario Maestripieri, da Universidade de Chicago. E o grupo foi além da pergunta simpática: quis saber também onde entra a toxoplasmose, doença causada por um parasita que tem os felinos como principais hospedeiros.

Como dá para medir a felicidade de um país?

Os pesquisadores não saíram de porta em porta com questionários. Eles usaram rankings internacionais de felicidade que já existem e cruzaram essas notas com a quantidade de gatos em cada país, a circulação do parasita e informações sobre renda e saúde da população.

Para comparar países de tamanhos tão diferentes, a conta foi feita em gatos por 10 mil habitantes. Na média, são 989 gatos para cada 10 mil pessoas, ou seja, quase um felino para cada dez moradores.

A ideia não surgiu do nada. Outras pesquisas já mostraram que conviver com cães e gatos ajuda a diminuir o estresse e a solidão e melhora o humor. Faltava saber se esse efeito aparecia também no retrato de um país inteiro.

E a toxoplasmose, onde entra nessa história?

Aqui está a parte mais intrigante. Os resultados apontaram dois caminhos opostos: mais gatos combinavam com mais felicidade, enquanto mais exposição ao parasita combinava com menos. “O que descobrimos é que os países com mais gatos tendiam a relatar níveis mais altos de felicidade, enquanto os países com maior exposição ao Toxoplasma gondii tendiam a relatar níveis mais baixos de felicidade”, resumiram os autores.

Na maioria das pessoas saudáveis, a toxoplasmose passa despercebida ou provoca apenas sintomas leves, parecidos com os de uma gripe. O cuidado precisa ser maior na gravidez, porque a infecção pode ser transmitida ao bebê, e em pessoas com a imunidade baixa. Alguns estudos também já associaram o parasita a quadros como ansiedade e depressão, embora essa relação ainda não esteja comprovada.

Seria lógico imaginar que, onde há mais gatos, haveria também mais parasita circulando. Pois aconteceu justamente o contrário: nos países com mais felinos, as infecções recentes eram menos comuns.

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Por que mais gatos não significam mais parasitas?

A explicação mais provável está na qualidade de vida. Países com renda mais alta costumam ter mais gente convivendo com pets e, ao mesmo tempo, mais acesso a veterinário, saneamento básico e cuidados de higiene, o que ajuda a manter o parasita sob controle.

Segundo Borráz-León, o resultado derruba a ideia simplista de que mais gatos significam, necessariamente, mais exposição ao parasita. Para o pesquisador, o manejo dos animais, o saneamento e as condições socioeconômicas parecem pesar mais nessa conta.

Em outras palavras, o que faz diferença é o cuidado. Não oferecer carne crua ao gato, limpar a caixa de areia todos os dias e manter as consultas veterinárias em dia são atitudes simples do responsável pelo animal, que reduzem muito o risco e deixam só o lado bom da convivência.

Então ter um gato deixa as pessoas mais felizes?

Não é bem assim. Os próprios autores avisam que o estudo mostra uma coincidência de padrões entre países, e não uma prova de causa. Não dá para dizer que o gato é a razão da felicidade, nem que o parasita é o motivo da tristeza.

E há exceções. A China, por exemplo, ficou acima da média de felicidade, com 5,97 pontos contra 5,72, mesmo tendo bem menos gatos do que a média: 376 para cada 10 mil habitantes. Por isso, os cientistas defendem novas pesquisas para entender melhor essa relação.

Uma coisa, porém, o líder do estudo faz questão de deixar clara. Fã declarado dos felinos, Borráz-León dividiu a vida durante 13 anos com a gata Homerita. Ao jornal The Washington Post, ele afirmou que os resultados não devem despertar medo dos gatos, mas sim lembrar que ter um em casa pede responsabilidade.

Fonte: PLOS One, adaptado pelo Portal PetON

 

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