O seu pet realmente precisa de suplementação de vitaminas?

Uso de multivitamínicos pode ser aliada da saúde animal, mas o uso indiscriminado traz riscos; saiba quando o veterinário pode indicar

 

A prateleira de suplementos para animais nunca foi tão vasta. Comprimidos, sachês, pastas e líquidos prometem mais energia, pelagem brilhante, articulações saudáveis e imunidade reforçada. Mas antes de incluir qualquer produto na rotina do pet, a pergunta que o veterinário faz é outra: o animal realmente precisa disso?

Na maioria dos casos, a resposta é não. “Cães e gatos alimentados com ração comercial completa e balanceada já recebem pela dieta tudo o que precisam. A suplementação só faz sentido quando há uma razão clínica identificada, não como rotina preventiva por conta própria”, avalia a médica-veterinária Vivian Quinto.

O que são vitaminas e por que os pets não as produzem sozinhos

Vitaminas são compostos orgânicos essenciais para o funcionamento do organismo. Como cães e gatos não conseguem sintetizar todas elas em quantidade suficiente, dependem da alimentação para obtê-las. Elas se dividem em dois grupos com comportamentos distintos no corpo.

“As vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, ficam armazenadas no organismo por mais tempo, o que significa que o excesso se acumula e pode causar toxicidade. Já as hidrossolúveis, como as do complexo B, são eliminadas pela urina com mais facilidade, mas precisam ser repostas regularmente pela alimentação” explica Vivian Quinto.

Essa diferença de comportamento é central para entender por que a suplementação indiscriminada pode fazer tão mal quanto a deficiência.

Quando o veterinário pode recomendar suplementação

Há cenários em que o organismo do animal não consegue extrair ou processar nutrientes de forma adequada pela alimentação convencional. Nesses casos, a suplementação vitamínica pode ser indicada como parte do protocolo terapêutico ou preventivo.

Animais idosos estão entre os que mais frequentemente se beneficiam. “Com o envelhecimento, a absorção intestinal de nutrientes diminui de forma natural. É comum que cães e gatos sêniores precisem de apoio nutricional adicional, especialmente para manter a saúde articular e a função cognitiva” explica Vivian Quinto.

Pets alimentados com dietas caseiras também merecem atenção especial. Receitas sem orientação de um médico-veterinário nutrólogo raramente atingem o equilíbrio ideal de micronutrientes, o que pode resultar em carências vitamínicas ao longo do tempo.

“Quando o responsável pelo animal opta pela alimentação natural, a suplementação deixa de ser opcional e passa a ser parte obrigatória do protocolo. Sem ela, o risco de deficiência é alto, mesmo que a dieta pareça variada e equilibrada” alerta Vivian Quinto.

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Outros contextos em que o veterinário pode avaliar a necessidade de suplementação incluem animais em tratamento com medicamentos que interferem na absorção de vitaminas, aqueles com doenças gastrointestinais, condições inflamatórias crônicas e situações de estresse intenso, como pós-operatório ou ambientes de alta demanda física.

Situações em que o veterinário pode indicar multivitamínico:

• Animais idosos com dificuldade de absorção de nutrientes
• Pets alimentados com dietas caseiras sem acompanhamento nutricional
• Uso prolongado de medicamentos que interferem na absorção vitamínica
• Doenças gastrointestinais com comprometimento da absorção
• Condições inflamatórias crônicas
• Períodos de estresse intenso ou recuperação pós-operatória

O excesso também faz mal

Um dos erros mais comuns entre os responsáveis pelos animais é partir do princípio de que, em se tratando de vitaminas, mais é sempre melhor. Não é.

“O excesso de vitamina A pode causar problemas ósseos graves e dor crônica. O de vitamina D pode levar à calcificação de tecidos moles e à insuficiência renal. O que torna esses quadros perigosos é que costumam ser silenciosos no início e difíceis de reverter quando identificados tarde” alerta Vivian Quinto.

Por isso, suplementar sem orientação veterinária é um risco real, não uma cautela exagerada.

Como escolher com responsabilidade

Caso o veterinário indique a suplementação, alguns critérios ajudam a orientar a escolha do produto. Marcas com respaldo científico e histórico de qualidade comprovada oferecem mais segurança do que opções sem rastreabilidade de composição.

“Um ponto que muita gente ignora é que suplementos humanos podem conter substâncias tóxicas para pets. O xilitol, adoçante presente em algumas formulações, é altamente perigoso para cães. Sempre verifique se o produto é formulado especificamente para animais e se tem registro no Ministério da Agricultura” orienta Vivian Quinto.

A certificação AAFCO (Association of American Feed Control Officials) é um parâmetro internacional reconhecido que indica equilíbrio nutricional adequado. No Brasil, o registro no Ministério da Agricultura é o requisito regulatório mínimo para produtos comercializados legalmente.

Em qualquer cenário, a consulta veterinária é o ponto de partida insubstituível. “Suplemento não substitui diagnóstico, e um animal com deficiência real merece investigação clínica, não apenas uma dose extra de vitaminas”, conclui Vivian.

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