Pesquisa sobre atividade cerebral indica que cães podem formar representações mentais de objetos ao ouvir seus nomes
Quando um tutor pede ao cachorro para buscar a bolinha, o animal pode correr diretamente até o brinquedo correto. Mas será que ele realmente entende a palavra pronunciada ou apenas aprendeu a responder a um som familiar?
Essa questão ganhou novas evidências em uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica Current Biology, que investigou como o cérebro dos cães reage quando eles ouvem palavras associadas a objetos conhecidos.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, e contou com a participação de 27 cães.
Durante os experimentos, os animais ouviam seus tutores pronunciarem nomes de objetos familiares. Em seguida, recebiam a apresentação de um objeto que poderia corresponder ou não à palavra pronunciada.
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Os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral dos cães por meio de eletroencefalografia, técnica que registra sinais elétricos produzidos pelo cérebro.
Os resultados mostraram diferenças nas respostas cerebrais quando o objeto apresentado correspondia ao nome pronunciado e quando havia uma incompatibilidade.
Esse padrão foi interpretado como evidência de que os cães podem ativar representações mentais de determinados objetos ao ouvir seus nomes.
Em outras palavras, para alguns cães, uma palavra familiar pode estar relacionada não apenas a uma ação esperada, mas também à ideia de um objeto específico.
A descoberta é importante porque ajuda a distinguir o simples reconhecimento de sons de processos mais complexos de associação entre palavras e seus referentes.
Isso não significa, porém, que os cães compreendam a linguagem humana da mesma maneira que nós. O estudo investigou associações entre palavras e objetos, não a capacidade de interpretar frases complexas ou conversas completas.
Também é importante considerar que os cães apresentam diferenças individuais de aprendizagem. Alguns conseguem memorizar muitos nomes de brinquedos, enquanto outros respondem principalmente a comandos e rotinas.
O treinamento, a repetição e a convivência com os tutores podem contribuir para essas associações.
Assim, quando um cachorro identifica corretamente um brinquedo pelo nome, ele pode estar demonstrando uma habilidade cognitiva mais elaborada do que simplesmente obedecer a uma ordem.
A ciência ainda investiga os limites dessa compreensão, mas os resultados reforçam que a comunicação entre humanos e cães envolve processos de aprendizagem e memória bastante sofisticados.


