Dia da Ciência: aquário revela o trabalho invisível que protege tubarões e raias ameaçados de extinção

Bactérias, sensores e mergulhadores fazem parte da rotina que cuida de mais de 150 animais de 25 espécies em um habitat de 300 mil litros em Balneário Camboriú (SC)

 

Quem visita o Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), encontra tubarões, raias e cardumes dividindo um mesmo habitat de 300 mil litros de água. O que o vidro não mostra é a engrenagem científica que mantém mais de 150 animais de 25 espécies, cada uma com hábitos e necessidades biológicas próprias, em condições adequadas de saúde e bem-estar.

Neste 5 de novembro, Dia Nacional da Ciência e da Cultura, a equipe de operações técnicas do aquário abriu os bastidores dessa rotina, que reúne bactérias microscópicas, processos químicos, tecnologia de monitoramento e acompanhamento veterinário. O cuidado ganha ainda mais relevância porque parte dos moradores do chamado habitat Oceânico pertence a espécies ameaçadas de extinção.

Espécies ameaçadas no mesmo ambiente

É o caso de Shark e Sharkira, os tubarões-mangona (Carcharias taurus), classificados como criticamente ameaçados de extinção pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Eles dividem o espaço com raias-manteiga (Dasyatis hypostigma), consideradas em perigo, e com garoupas-verdadeiras (Epinephelus marginatus), listadas como vulneráveis.

O habitat abriga ainda a moreia-verde (Gymnothorax funebris), o tubarão-bambu (Chiloscyllium punctatum), o tubarão-galha-branca (Triaenodon obesus), o porco-vetula (Balistes vetula) e a caranha (Lutjanus cyanopterus), entre outras espécies. Fazer essa convivência funcionar exige planejamento em várias frentes: distribuição do espaço, alimentação e observação constante das interações entre os animais.

“Cada espécie tem características próprias e, mesmo compartilhando o mesmo ambiente, os animais precisam de cuidados individualizados. Observamos a alimentação, a locomoção, o comportamento e as interações entre eles. Esse acompanhamento permite compreender suas necessidades e orientar as decisões que garantem condições adequadas de saúde e bem-estar”, explica a médica-veterinária Juliana Formágio.

O trabalho invisível das bactérias

Uma das etapas mais importantes para o equilíbrio do habitat acontece em escala microscópica. No Sistema de Suporte à Vida (SSV), bactérias presentes nos filtros participam do ciclo do nitrogênio: transformam a amônia, potencialmente tóxica para os animais, em nitrito e, em seguida, em nitrato.

Esse processo biológico atua em conjunto com outras tecnologias. A filtragem pressurizada retém partículas presentes na água, o carvão ativado ajuda a remover compostos orgânicos dissolvidos e o ozônio, aplicado sob controle técnico, auxilia no tratamento da água e no controle de microrganismos. A combinação dessas etapas permite que a água seja tratada continuamente.

O monitoramento também acontece em duas frentes. A equipe realiza análises manuais uma vez por dia, enquanto sensores informam em tempo real parâmetros como temperatura e pH e emitem alertas diante de qualquer oscilação.

“São 300 mil litros de água e diferentes espécies que dependem da estabilidade desse ambiente. Por isso, precisamos integrar conhecimentos de química, biologia e engenharia. Os equipamentos realizam processos fundamentais, mas é a equipe técnica que interpreta os resultados, acompanha as condições da água e define os ajustes necessários”, afirma André Neto, diretor de operações técnicas do Oceanic Aquarium.

Alimentação e limpeza também são ciência

O acompanhamento vai além da qualidade da água. As dietas são planejadas individualmente, de acordo com as necessidades nutricionais e os hábitos alimentares de cada animal. A equipe observa a aceitação dos alimentos, a condição corporal e eventuais alterações de comportamento.

Esses cuidados estão interligados: resíduos da alimentação e materiais orgânicos eliminados pelos animais interferem nos processos químicos e biológicos da água, o que exige uma rotina integrada de manejo e manutenção.

Três vezes por semana, mergulhadores habilitados entram no aquário, mesmo com tubarões e raias presentes, para fazer a sifonagem. Com equipamentos semelhantes a aspiradores, eles retiram os resíduos acumulados no fundo e complementam o trabalho dos sistemas de filtragem.

Ciência que se transforma em cuidado

Da atividade das bactérias à engenharia dos filtros, passando pelas análises da água e pelo acompanhamento veterinário, cada etapa sustenta o equilíbrio do habitat. Em um ambiente que abriga espécies ameaçadas de extinção, essa rotina mostra como o conhecimento científico se converte, na prática, em bem-estar animal e em contribuição para a conservação da biodiversidade.

Inaugurado em dezembro de 2019, o Oceanic Aquarium reúne cerca de 2.500 animais de 170 espécies, distribuídos em mais de 30 habitats de água doce e salgada. Foi o primeiro aquário do Brasil a conquistar a acreditação internacional da Associação Latino-Americana de Parques Zoológicos e Aquários (ALPZA).

SERVIÇO

Local: Oceanic Aquarium, Rua 4000, 133, Barra Sul, Balneário Camboriú (SC)
Funcionamento: Aberto todos os dias
Ingressos e informações: www.oceanicaquarium.com.br e @oceanicaquarium

 

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