Por que os cães se sacodem com tanta força?

Movimento que parece simples é uma estratégia biomecânica eficiente para eliminar água, conservar calor e economizar energia

 

Quem convive com cachorro conhece a cena. Basta um banho, uma chuva inesperada ou alguns minutos brincando com água para começar o movimento: cabeça para um lado, corpo para o outro e, em segundos, uma verdadeira chuva se espalha ao redor. Em Sumaré, a estudante Maria Rita Ferreira observa esse comportamento entre seus dois cães, um deles sem raça definida.

Mas o que parece apenas uma maneira engraçada de se secar esconde uma sofisticada solução desenvolvida pela natureza. Pesquisadores do Georgia Institute of Technology analisaram 33 animais de 16 espécies, incluindo cinco raças de cães, usando vídeos em alta velocidade para compreender a física por trás da famosa sacudida.

A conclusão é curiosa: os mamíferos peludos ajustam a velocidade da sacudida de acordo com o tamanho do próprio corpo. Quanto menor o animal, maior precisa ser a frequência do movimento para produzir força suficiente para vencer a tensão superficial que mantém as gotas de água presas aos pelos.

Isso explica por que um animal pequeno pode se sacudir muito mais rapidamente que um cachorro grande. Não se trata de um movimento aleatório. Existe uma relação entre massa corporal, frequência da oscilação e força necessária para lançar a água para longe.

A pele também participa desse mecanismo. Como ela consegue se movimentar mais do que a estrutura óssea durante a sacudida, funciona quase como um chicote, aumentando a velocidade com que as gotas são expulsas. A eficiência é tamanha que os pesquisadores observaram que mamíferos conseguem eliminar grande quantidade de água em poucos segundos.

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E existe uma razão importante para tanta eficiência. Pelagem molhada perde boa parte de sua capacidade de isolamento térmico. Segundo o estudo, se um cão de aproximadamente 27 quilos tivesse cerca de 450 gramas de água retidos nos pelos e dependesse apenas da evaporação para secar, poderia consumir o equivalente a cerca de 20% de sua necessidade energética diária nesse processo.

Ou seja, aquela sacudida que Maria Rita precisa escapar para não tomar um banho junto com os cães é, na realidade, uma estratégia de conservação de energia e temperatura.

A ciência mostra que por trás de um dos gestos mais comuns dos cachorros existe uma pequena aula de física. E uma solução que a natureza aperfeiçoou muito antes de inventarmos toalhas ou secadores.

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