Perda de peso, sede excessiva e mudança de comportamento alertaram a tutora de Safi. Veja o que observar e o que muda na rotina após o diagnóstico
*Por Ester Moitinho, Portal Um Diabético especial para o PetOn
Quando Safi começou a perder peso, parar de comer e beber água em excesso, a responsável pela gata, Valesca Cruz, imaginou que fossem sinais da idade. Em poucas semanas, a situação se agravou: a gata passou de cinco quilos para cerca de um quilo e meio. A causa era diabetes, uma doença que Valesca nunca associou a felinos.
“Diabetes era a última hipótese que eu imaginava para a Safi”, conta Valesca. A falta de informação sobre diabetes em animais foi um dos primeiros desafios que ela enfrentou após o diagnóstico.
Quais são os primeiros sinais de diabetes em gatos?
As mudanças na Safi começaram de forma gradual. A gata, antes ativa e brincalhona, passou a demonstrar menos interesse pela alimentação e a urinar com mais frequência, inclusive fora da caixa de areia. Os episódios de vômito se intensificaram e a disposição caiu.
Segundo a médica-veterinária Thais Thomaz Domingues de Almeida, os sinais mais comuns da diabetes em cães e gatos incluem aumento do apetite, aumento da sede, maior frequência urinária e perda de peso. Muitos desses sintomas foram observados por Valesca semanas antes de buscar atendimento veterinário.
Foi a perda de peso acelerada que funcionou como alerta definitivo. “Ver uma gata que sempre foi mais gordinha chegar ao ponto de apresentar os ossos aparentes foi o que me fez procurar atendimento”, relata Valesca.
O diagnóstico e o que muda na rotina
Após a consulta, Safi foi encaminhada a um endocrinologista veterinário. Como dependia do atendimento público, a consulta especializada levou cerca de quatro meses. Nesse período, Valesca precisou buscar informações por conta própria para iniciar os cuidados adequados.
O tratamento exigiu uma reorganização completa da rotina. A aplicação de insulina passou a ocorrer a cada 12 horas, em horários fixos. “Meus compromissos passaram a ser planejados em função dos horários da insulina”, diz.
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Os custos também pesaram. O orçamento passou a incluir ração específica, insulina, seringas, tiras reagentes e consultas periódicas. Para manter o tratamento sem interrupções, Valesca organizou rifas e vendeu chocolates.

Como é feito o monitoramento glicêmico em casa
Entre os desafios práticos, o monitoramento da glicemia foi um dos que mais exigiram adaptação. A coleta de sangue é realizada principalmente na orelha do animal e demanda prática para ser feita corretamente.
“Já aconteceu de furar a orelhinha dela várias vezes e não conseguir. Eu chorava e ela também”, recorda Valesca. Com o tempo, o procedimento se tornou parte do dia a dia, acompanhado de um ritual afetivo: conversa, carinho e colo após a aplicação da insulina.
Além dos medidores convencionais, alguns animais podem utilizar sensores contínuos de glicose. A indicação depende da avaliação veterinária e da adaptação de cada paciente, avalia a veterinária Thais Thomaz Domingues de Almeida.
Alimentação como parte do tratamento
A dieta passou a ser rigorosamente controlada. Atualmente, Safi consome entre 50 e 52 gramas de ração por dia, divididas em quatro refeições.
De acordo com a veterinária Thais Thomaz Domingues de Almeida, a alimentação faz parte do tratamento e influencia diretamente o controle da doença. Nos gatos, as dietas costumam priorizar maior quantidade de proteínas e menor teor de carboidratos.
Segundo a especialista, quando o tratamento é seguido corretamente, muitos pacientes conseguem manter qualidade de vida por anos após o diagnóstico, e alguns felinos chegam à remissão da doença.

De tutora a produtora de conteúdo sobre diabetes em pets
A experiência com a Safi transformou também o propósito de Valesca. Ao longo dos anos, ela passou a compartilhar nas redes sociais informações sobre diabetes em cães e gatos, mostrando parte da rotina da gata e trocando experiências com outros responsáveis que recebem o diagnóstico sem saber por onde começar.
Ela também integra o Projeto Pet Diabetes, iniciativa voltada ao suporte e à orientação de responsáveis por animais com a doença. “Foi por causa da Safi que decidi fazer parte do projeto. Quero levar informação, acolhimento e apoio para outros tutores”, afirma.
Um dos episódios mais recentes reforçou a importância do monitoramento constante: após uma hipoglicemia, Safi sofreu uma queda e teve uma lesão na traqueia. Após atendimento veterinário, a gata se recuperou. Para Valesca, o episódio foi mais um lembrete de que atenção e conhecimento salvam vidas.
“A diabetes em pets me mostrou que o meu propósito é ajudar, cuidar e levar informação para as pessoas.”



