Veterinária explica os sinais de hipoglicemia e hiperglicemia em cães e gatos e o que fazer diante de cada sintoma
** Por laura Lanny ** especial para o PetON
Cães e gatos com diabetes podem apresentar mudanças bruscas de comportamento quando a glicose fica muito baixa ou muito alta. Alguns sinais surgem de forma rápida e podem ser percebidos pelo responsável pelo animal ainda em casa.
Segundo Anna Maria Schnabel, endocrinologista de cães e gatos e sócia fundadora e diretora da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), reconhecer esses sinais ajuda o responsável a identificar situações que precisam de avaliação veterinária.
Quais sinais podem indicar glicose baixa no pet?
A hipoglicemia ocorre quando a glicose fica baixa, e o problema exige atenção principalmente em cães e gatos que convivem com diabetes e recebem insulina.
Os primeiros sinais podem incluir fraqueza, hipersalivação, sonolência, prostração, comportamento diferente e desorientação. Além disso, o animal pode apresentar tremores, dificuldade para andar e falta de coordenação.
Em situações mais graves, o animal pode ter convulsões, perder a consciência ou apresentar dificuldade para responder. Por isso, uma mudança repentina no comportamento pode indicar uma alteração da glicose, e o responsável precisa observar também a capacidade do animal de se alimentar e engolir.
O que fazer quando o pet apresenta sinais de hipoglicemia?
Se o animal estiver consciente, conseguir engolir e tiver condições de se alimentar, o responsável pode oferecer alimento conforme as orientações dadas anteriormente pelo veterinário. Em episódios relacionados ao uso de insulina, o profissional também pode orientar o uso de uma fonte de carboidrato de ação rápida.
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No entanto, o responsável não deve colocar alimento ou líquido na boca de um animal muito prostrado, inconsciente, com tremores intensos ou em convulsão, já que existe risco de aspiração. A situação exige atendimento veterinário imediato, e em episódios graves o profissional pode precisar administrar glicose por via intravenosa.
Mesmo que o animal melhore depois de comer, o responsável deve informar o episódio ao veterinário, que pode precisar avaliar a dose de insulina.
Como identificar glicose alta em cães e gatos?
A hiperglicemia também provoca sinais que podem ser percebidos em casa. Entre os principais estão aumento da sede, aumento do volume ou da frequência da urina e aumento do apetite. Além disso, o animal pode perder peso mesmo mantendo a alimentação.
Em cães, o diabetes também pode estar relacionado ao desenvolvimento de catarata. Já em gatos, a glicose elevada por períodos prolongados pode provocar neuropatia periférica, o que pode alterar a forma como o animal apoia as patas traseiras e dificultar movimentos como saltar.
Quando a glicose alta pode indicar uma emergência?
Quando o diabetes fica muito descompensado, o animal pode desenvolver cetoacidose diabética. Nesse quadro, podem aparecer falta de apetite, vômitos e desidratação, o que exige atendimento veterinário emergencial. Por isso, o responsável deve observar o conjunto de sinais, e não apenas uma medição da glicose.
Qual glicose é considerada adequada para cães e gatos com diabetes?
Os valores usados para cães e gatos não seguem necessariamente os mesmos parâmetros utilizados para pessoas.
“A meta do tratamento depende da espécie, do tipo de insulina, do momento da medição e do quadro clínico”, explica Anna Maria Schnabel.
Um menor valor da glicemia durante o período de ação da insulina, em torno de 100 a 250 mg/dL, pode ser usado como faixa-alvo para avaliar o tratamento de cães e gatos com diabetes. Ainda assim, não existe um único número que determine sozinho se o tratamento está adequado: o veterinário também considera os sinais clínicos, o peso do animal e a resposta ao tratamento.
Um único resultado da glicose pode enganar o responsável
Um dos erros frequentes no monitoramento do diabetes em cães e gatos é dar importância excessiva a uma única leitura. As curvas glicêmicas e o conjunto de sinais clínicos ajudam mais na avaliação do tratamento do que uma medição isolada.
Além disso, o responsável não deve aumentar ou ajustar a dose de insulina por conta própria. Leituras muito baixas também podem exigir confirmação quando o resultado não combina com os sinais apresentados pelo animal.
O que registrar no acompanhamento diário
- Horário e dose da insulina aplicada
- Quantidade de alimento consumida pelo animal
- Mudanças na ingestão de água
- Alterações na urina
- Variações de peso e de comportamento
- Fatores que podem interferir na glicemia, como exercício, doenças concomitantes e estresse
Esse acompanhamento ajuda o veterinário a analisar o comportamento da glicose ao longo do tempo e avaliar a resposta ao tratamento.


