Dia Mundial do Cão: fazer os cães viverem mais também é cuidar para que vivam melhor

*Por Francis Flosi, médico-veterinário e diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas

 

Dia Mundial do Cão: fazer os cães viverem mais também é cuidar para que vivam melhorCelebrar o Dia Mundial do Cão, em 26 de agosto, é também refletir sobre o quanto a Medicina Veterinária evoluiu e sobre a responsabilidade que temos diante do aumento da expectativa de vida dos animais.

Hoje, encontramos cães que chegam aos 15, 16 e até mais de 18 anos. Há algumas décadas, isso era muito menos comum. A evolução dos protocolos de vacinação, da nutrição, dos métodos diagnósticos, dos tratamentos e do conhecimento veterinário contribuiu de forma decisiva para essa transformação.

Mas, na minha visão, o grande desafio atualmente não é apenas fazer os cães viverem mais. É fazer com que vivam mais e melhor.

Prevenção deve começar desde cedo

A medicina preventiva é uma das ferramentas mais importantes para alcançar esse objetivo. Consultas periódicas permitem acompanhar o desenvolvimento do animal, identificar alterações precocemente e estabelecer estratégias de cuidado de acordo com cada fase da vida.

Vacinação, controle de parasitas, alimentação adequada, atividade física, controle do peso, higiene bucal e exames preventivos precisam fazer parte dessa rotina.

Muitas doenças cardíacas, renais, endócrinas e até alguns tipos de câncer podem apresentar melhores possibilidades de tratamento quando identificadas precocemente.

Por isso, sempre reforço que esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento veterinário não deve ser a única estratégia de cuidado.

O excesso de peso também é um problema de saúde

Outro ponto que merece nossa atenção é a obesidade.

É comum que o responsável pelo animal associe comida e petiscos a uma demonstração de carinho. Entretanto, o excesso de calorias, combinado ao sedentarismo, pode trazer consequências importantes para a saúde.

O sobrepeso aumenta o risco de problemas articulares, metabólicos e cardiovasculares e pode comprometer a qualidade e a expectativa de vida.

Cuidar também significa estabelecer limites e oferecer uma alimentação compatível com a idade, o porte, o nível de atividade e as necessidades individuais de cada cão.

Cada fase da vida exige um cuidado diferente

Um filhote não possui as mesmas necessidades de um cão adulto. Da mesma forma, um animal idoso precisa de uma atenção diferente daquela oferecida durante a juventude.

Com o envelhecimento, aumentam as possibilidades de doenças como cardiopatias, insuficiência renal, alterações hormonais, artrose, câncer e alterações cognitivas.

Por isso, o acompanhamento veterinário precisa acompanhar essas mudanças.

À medida que a Medicina Veterinária avança, também ampliamos nossa capacidade de diagnosticar, tratar e oferecer qualidade de vida aos animais idosos. O conhecimento especializado passa a ser cada vez mais importante nesse processo.

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Adoção é um compromisso para toda a vida

O Dia Mundial do Cão também nos convida a falar sobre adoção responsável.

Adotar um animal significa assumir um compromisso que pode durar muitos anos. Não se trata apenas de oferecer um lar, mas de garantir alimentação, segurança, assistência veterinária, prevenção, bem-estar, afeto e respeito durante todas as fases da vida.

Antes de adotar, é fundamental avaliar a rotina, o espaço disponível, os custos e a capacidade da família de assumir esse compromisso.

Precisamos evitar que uma decisão tomada por impulso resulte, no futuro, em abandono.

A Medicina Veterinária também precisa evoluir

O aumento da longevidade dos cães acompanha uma mudança importante na relação entre animais e famílias. Eles ocupam um espaço cada vez mais significativo nos lares e, consequentemente, seus responsáveis buscam cuidados veterinários mais completos e especializados.

Essa transformação exige profissionais preparados para lidar com novos desafios.

Para estudantes e médicos-veterinários, investir em atualização e especialização é uma forma de acompanhar a evolução da profissão e oferecer uma assistência cada vez mais qualificada.

Na Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, trabalhamos para contribuir com essa formação, oferecendo diversas opções de especialização para quem deseja ampliar conhecimentos e oportunidades na carreira.

No Dia Mundial do Cão, minha mensagem é simples: longevidade não deve ser medida apenas em anos, mas em qualidade de vida.

Cada consulta preventiva, cada vacina, cada escolha nutricional adequada e cada diagnóstico precoce podem fazer diferença na história de um animal.

Porque quando cuidamos para que um cão viva mais e melhor, também estamos valorizando a própria evolução da Medicina Veterinária.

*Francis Flosi é médico-veterinário e diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas

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