Vacinação, controle de parasitas e atenção a mudanças de comportamento exigem abordagens diferentes em cada momento de vida, do nascimento à maturidade. Entenda.
O Brasil tem mais de 60 milhões de cães em seu território, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Os cães estão presentes em quase metade dos domicílios do país, superando a média mundial de lares com pets. De um filhote que chega à família cheio de energia a um cão idoso que já prefere passeios mais tranquilos, muita coisa muda ao longo dos anos de vida de um pet, inclusive os tipos de cuidados necessários para preservar sua saúde e qualidade de vida. Enquanto os primeiros meses são marcados pelas primeiras vacinas e o primeiro contato com antiparasitários, a vida adulta e a maturidade trazem novas necessidades, como a atenção a mudanças de comportamento e o acompanhamento de doenças crônicas.
Neste Dia Mundial do Cachorro, celebrado em 26 de agosto, a médica-veterinária Thalita Souza, gerente de Serviços Técnicos de Animais de Companhia da Zoetis Brasil, explica os principais cuidados que devem fazer parte de cada etapa da vida do animal, além dos sinais aos quais os responsáveis pelos animais devem estar atentos conforme os anos passam.
Primeiros meses: a base para uma vida saudável
Os primeiros meses concentram cuidados importantes para o desenvolvimento e a proteção do cão. É nessa fase que se inicia o protocolo de vacinação, definido pelo veterinário de acordo com a idade, o histórico e os riscos aos quais o filhote estará exposto. Após o esquema inicial, os reforços devem continuar ao longo da vida, conforme orientação profissional.
O controle de parasitas internos e externos também começa cedo. Pulgas e carrapatos não são apenas um incômodo: além de causarem desconforto, podem estar associados a diferentes problemas de saúde. A escolha do antiparasitário e a frequência de uso devem considerar fatores como idade, peso, ambiente e estilo de vida do cão.
“Essa é uma fase importante para acompanhar o crescimento e estabelecer hábitos que vão contribuir para a saúde do cão ao longo da vida. As primeiras consultas também permitem que o veterinário conheça o histórico e as características individuais daquele animal”, explica Thalita Souza, médica-veterinária da Zoetis Brasil.
Vida adulta: prevenção contínua e novos sinais merecem atenção
Quando o cão chega à vida adulta, os cuidados iniciados nos primeiros meses permanecem necessários. Vacinação, controle de parasitas, alimentação equilibrada, atividade física, saúde bucal e manutenção do peso adequado devem continuar fazendo parte da rotina.
Ao mesmo tempo, conhecer o comportamento habitual do animal se torna uma ferramenta importante para os responsáveis. Mudanças persistentes na alimentação, no sono, na disposição para brincar ou passear, na ingestão de água ou na interação com a família podem indicar que algo merece ser investigado.
A pele também pode dar sinais importantes. Coceira frequente, lambedura excessiva, vermelhidão ou outras alterações não devem ser normalizadas. Algumas doenças dermatológicas, como a dermatite atópica, são crônicas e podem exigir acompanhamento e tratamento contínuos para preservar o conforto e a qualidade de vida do cão.
Outro ponto de atenção é o peso. O excesso pode comprometer a saúde e aumentar a sobrecarga sobre as articulações, por isso a alimentação e a atividade física devem ser ajustadas às características e necessidades de cada animal.
“Os responsáveis convivem diariamente com o cão e, por isso, têm um papel muito importante na percepção de mudanças. Não é preciso esperar que um sinal se torne intenso para procurar orientação. Quando algo foge do padrão daquele animal e persiste, vale conversar com o veterinário”, avalia a especialista.
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Maturidade: nem toda mudança é apenas consequência da idade
Não existe uma idade única a partir da qual todo cão passa a ser considerado idoso. Porte, raça, genética, estilo de vida e histórico de saúde influenciam o processo de envelhecimento. Conforme os anos avançam, os cuidados precisam ser revistos para acompanhar as novas necessidades do animal.
Nessa etapa, avaliações clínicas e exames indicados pelo médico-veterinário podem ajudar a identificar precocemente alterações relacionadas à visão, audição, saúde bucal, metabolismo e mobilidade.
Um cão que passa a evitar escadas, demora mais para se levantar, deixa de pular no sofá, caminha mais devagar ou perde o interesse por passeios pode não estar simplesmente ficando velho. Alterações como essas podem estar associadas à dor, inclusive em decorrência da osteoartrite, doença crônica e progressiva que pode comprometer a mobilidade e a qualidade de vida.
“Envelhecer não deve ser sinônimo de conviver com dor ou desconforto. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem justamente em atividades simples da rotina. Quando o responsável percebe que o cão deixou de fazer algo que sempre fazia ou passou a ter dificuldade, é importante investigar a causa em vez de atribuir automaticamente a mudança à idade”, destaca Thalita Souza.
Além do tratamento de eventuais condições de saúde, adaptações simples no dia a dia podem contribuir para o conforto do cão mais velho, como facilitar o acesso aos locais de descanso, evitar pisos muito escorregadios e adequar os exercícios às suas condições físicas.
Cuidados diferentes, acompanhamento constante
Se as necessidades de saúde se transformam conforme o cão envelhece, o acompanhamento periódico com o médico-veterinário deve atravessar todas essas etapas. Ainda assim, a prevenção pode ganhar mais espaço: segundo o último levantamento da Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), apenas 30% dos cães passam por consultas preventivas anualmente.
Hoje existem vacinas, antiparasitários, exames laboratoriais e medicamentos específicos para o controle da dor e de condições crônicas em cada fase da vida do cão, que devem ser indicados pelo médico-veterinário conforme a idade, o porte e o histórico de saúde do animal.
“Cuidar ao longo da vida não significa fazer sempre as mesmas coisas, mas entender o que aquele animal precisa em cada momento. O acompanhamento veterinário contínuo é essencial pois permite identificar alterações no comportamento, diagnosticar problemas de saúde que nem sempre apresentam sinais evidentes e ajustar os cuidados à medida que o cão envelhece”, finaliza a médica-veterinária..


