Primeiro cachorro em casa? O que saber antes de trazer o pet para a família

 Da adaptação da casa à vacinação e alimentação, veterinária explica os cuidados que tornam mais tranquila a chegada do novo integrante

 

Amanhã, 26 de agosto se comemora o Dia Mundial do Cão, data que costuma despertar a vontade de ter um cachorro pela primeira vez. Mas a chegada de um novo animal muda a rotina da casa e exige alguns preparativos antes mesmo de o pet estrear as patinhas na sala. Definir os espaços de alimentação, descanso e necessidades, retirar objetos que ofereçam riscos e organizar os primeiros cuidados de saúde estão entre as providências que ajudam a tornar a adaptação mais segura. Também é importante saber lidar com situações comuns, como as primeiras noites, o aprendizado do local correto para fazer as necessidades e a vontade de morder objetos. Para quem está nessa experiência pela primeira vez, planejamento e informação fazem diferença.

Tempo, espaço e custo antes da escolha

Antes de escolher o animal, a família deve considerar três pontos: tempo, espaço e custos. Um cachorro precisa de atenção, atividade, cuidados de higiene e acompanhamento veterinário, e quem passa muitas horas fora de casa ou viaja com frequência pode precisar incluir na rotina serviços como creche ou hospedagem. O espaço disponível também deve ser levado em conta: cães maiores, por exemplo, precisam de oportunidades para se exercitar e gastar energia. Já o orçamento deve contemplar alimentação, consultas, vacinas, exames e eventuais tratamentos.

É importante escolher um animal que seja compatível com o estilo de vida da família. Ter um cachorro envolve uma responsabilidade que vai acompanhar aquela casa por muitos anos, explica a veterinária Beatriz Ferlin, do Hospital Veterinário Taquaral.

Quando o planejamento vem depois da decisão

Foi o que viveram Priscilla e Ciro Rabelo. Assim que se mudaram de apartamento para uma casa, o casal quis ter um cachorro, e uma semana depois da decisão já tinha em casa um border collie de 45 dias, escolhido por suas características de inteligência e companheirismo.

Priscilla relata que queria um cão que corresse com ela, fosse a restaurantes e shoppings e viajasse, participando da rotina da família. Segundo ela, foi só aos cinco meses do filhote, batizado de Beni, que tanto o cão quanto o casal se sentiram mais adaptados, mas as novidades em comportamento continuaram aparecendo. “Contratamos um adestrador que deve permanecer conosco por mais uns seis meses. Amamos o Beni e ele faz parte da família, mas os sustos do início foram gigantescos. Acredito que se tivéssemos pesquisado mais, nos planejado melhor antes de trazê-lo para casa, muitos transtornos não teriam acontecido”, diz Priscilla.

Filhote não é a única opção

A ideia de que o primeiro cachorro precisa ser necessariamente um filhote pode fazer com que muitas famílias deixem de considerar a adoção de um animal adulto. Filhotes exigem bastante tempo para brincar, gastar energia e aprender regras de convivência, o que pode não ser a escolha mais adequada para casas com idosos que tenham dificuldade para acompanhar essa rotina, por exemplo.

Um cão adulto, por outro lado, já apresenta características de comportamento mais definidas. Muitas vezes já sabemos se ele é mais calmo ou ativo, se precisa de muita companhia, se se adapta bem a um apartamento e até se já faz as necessidades no local correto. São animais que já estão, de certa forma, prontos, e isso nem sempre é valorizado por quem procura um pet, avalia a veterinária.

Preparando o ambiente com segurança

O ideal é que o cachorro encontre um ambiente organizado e seguro desde a sua chegada. É preciso definir os locais para alimentação, descanso e necessidades, com comedouro, bebedouro, cama, cobertores e tapete higiênico ou outro sistema de banheiro. Brinquedos também devem fazer parte da preparação: o enriquecimento ambiental ajuda a ocupar o animal e oferece alternativas para brincar e explorar.

Outro ponto importante é a segurança, que exige uma vistoria pela casa. Fios elétricos, produtos de limpeza, medicamentos, plantas tóxicas, lixeiras e objetos pequenos devem ficar fora do alcance, e portões e telas são importantes para evitar fugas.

Na hora de abrir um portão, por exemplo, alguém deve estar segurando o cão ou mantê-lo em um espaço seguro. Em apartamentos e casas com áreas altas, as telas são uma proteção fundamental, orienta Beatriz.

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Se houver crianças, a interação deve ser sempre supervisionada por um adulto, com apresentação calma que respeite o espaço dos dois. Quando já existem outros animais na casa, a adaptação também deve ser gradual, com atenção ao animal que já vivia no local e evitando deixá-los sozinhos até que estejam completamente acostumados.

Consulta veterinária e vacinação entre as prioridades

Depois da adoção ou compra, uma das primeiras providências deve ser a consulta veterinária. O atendimento permite avaliar a saúde do animal e estabelecer um planejamento individual para vermifugação, controle de pulgas e carrapatos, vacinação, exames e demais cuidados.

Nos filhotes, o esquema inicial geralmente inclui três a quatro doses da vacina polivalente, como V8 ou V10, com intervalos de três a quatro semanas, além da vacina antirrábica. Para cães com mais de quatro meses, normalmente são indicadas duas a três doses da polivalente, com intervalo de 21 a 28 dias, e uma dose da antirrábica, com reforço anual.

Não é recomendado atrasar as doses porque isso pode comprometer o esquema de imunização. Antes de liberar o filhote para passeios e contato com outros animais, também precisamos considerar a vacinação, a vermifugação e o controle de ectoparasitas, explica a veterinária.

Em geral, o filhote pode começar a passear e conviver com outros animais depois da conclusão do protocolo básico, por volta dos quatro meses e meio. A microchipagem é opcional, mas funciona como uma forma importante de identificação.

Xixi no lugar certo exige tempo e paciência

Um dos desafios mais comuns para quem recebe um filhote é ensinar onde ele deve fazer as necessidades. O processo pode ser demorado e exige repetição e paciência: o reforço positivo é um aliado, enquanto punições devem ser evitadas. Se necessário, o acompanhamento de um profissional de comportamento pode ajudar.

Morder móveis, objetos e fios também faz parte do desenvolvimento dos filhotes. Durante a troca de dentes, o desconforto pode aumentar a necessidade de roer, e brinquedos e mordedores ajudam a direcionar esse comportamento.

Cuidado redobrado com a alimentação

Na alimentação, a escolha da ração deve considerar idade, porte, raça, estilo de vida e condições de saúde, já que alguns animais precisam de dietas específicas. Chocolate, cebola, alho, uvas, abacate, café, massas cruas com fermento, xilitol e ossos cozidos estão entre os alimentos que não devem ser oferecidos.

Alguns dos problemas mais comuns acontecem por falta de informação. Dar alimentos inadequados, oferecer medicamentos por conta própria ou esperar demais para procurar atendimento são situações que podem ser evitadas, alerta Beatriz.

Sinais que pedem avaliação veterinária

•​Falta de apetite ou apatia persistentes

•​Vômitos e diarreia constantes

•​Secreção nasal ou ocular

Com planejamento antes da chegada e atenção redobrada nas primeiras semanas, a adaptação do novo integrante tende a ser mais tranquila para o animal e para toda a família.

 

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