Saúde de Campinas vacina gatos no Cemitério da Saudade após caso de raiva em felina

Caso reacende alerta do Mês do Cachorro Louco: a raiva é letal, mas a vacinação protege

 

A Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) da Secretaria de Saúde de Campinas realizou vacinação de gatos contra a raiva no Cemitério da Saudade nesta segunda-feira, 3 de agosto. Além dos felinos do cemitério, também serão vacinados animais de moradores do entorno que estão com essa imunização pendente.

As ações integram um protocolo de prevenção iniciado na semana passada, após uma gata encontrada no cemitério ser diagnosticada com raiva. Ela chegou a ser resgatada e levada a uma clínica veterinária, mas morreu. Esse é o primeiro caso da doença em um gato desde 2016 na cidade.

O caso reacende um alerta importante neste mês de agosto, conhecido popularmente como o “Mês do Cachorro Louco”. Apesar da expressão ser antiga, ela continua cumprindo um papel fundamental: lembrar que a raiva é uma doença viral extremamente grave, que pode atingir todos os mamíferos, incluindo cães, gatos e seres humanos.

A raiva é transmitida por mordidas de animais infectados, por arranhões ou pelo contato da saliva com mucosas ou feridas abertas — o risco, portanto, está restrito a quem tem contato direto com esses animais.

“Manter seu pet vacinado é um ato de amor e responsabilidade. A saúde dele, da sua família e da sua comunidade depende disso. A raiva é uma doença com letalidade praticamente total, mas completamente evitável com uma simples dose de vacina por ano”, alerta o médico-veterinário Francis Flosi, diretor-geral da Faculdade Qualittas.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e junho de 2026 foram registrados 54 casos de raiva humana no Brasil. Em toda a série histórica, apenas duas pessoas sobreviveram após o aparecimento dos sintomas, o que demonstra a alta letalidade da doença.

As ações de vacinação em Campinas ocorrem após um mapeamento prévio realizado na última sexta-feira e sábado, período em que as equipes fizeram uma campanha de orientação na vizinhança. Durante as visitas de casa em casa, os agentes identificaram o número de animais por residência e quais estavam com a vacina em atraso. Os trabalhos de imunização devem ser concluídos nesta semana.

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Estratégia de vacinação

Para os gatos que vivem dentro do cemitério, a estratégia de vacinação ocorre nos momentos em que eles são alimentados. Para viabilizar a ação, a equipe conta com o apoio das cuidadoras e protetoras que já atuam no local. Os felinos que ficam na parte externa, próximos às bancas de flores, também serão vacinados.

Para os moradores do entorno que não forem encontrados durante as visitas, a equipe deixará um aviso orientando que levem seus animais para vacinação no sábado.

Sobre a variante do vírus

A UVZ esclarece que o caso registrado no cemitério é da variante do morcego, que causa a chamada raiva paralítica. Diferentemente da forma furiosa da doença, cujo vírus não circula mais na região, a raiva paralítica faz com que o animal fique prostrado, quieto e apresente sintomas neurológicos, o que reduz significativamente a probabilidade de acidentes e agressões.

O monitoramento de morcegos é realizado de forma contínua ao longo do ano. São recolhidos morcegos encontrados em situações atípicas e enviados para análise em São Paulo. Neste ano, foram identificados quatro morcegos positivos. Ao encontrar um morcego caído, voando durante o dia ou apresentando comportamento incomum, a orientação é não tocar no animal e comunicar imediatamente o serviço municipal de zoonoses.

Como proteger seu pet e sua família

Mantenha a vacinação antirrábica de cães e gatos em dia, com uma dose anual a partir dos três meses de idade. Não toque, alimente ou manuseie animais silvestres ou de rua com comportamento anormal e, ao encontrar um morcego caído ou com comportamento incomum, não toque no animal e acione o serviço municipal de zoonoses. Em caso de mordida, arranhão ou contato com a saliva de um animal suspeito, procure atendimento médico imediatamente. Evite também adotar ou alimentar animais de rua sem acompanhamento veterinário. Após o início dos sintomas em humanos ou animais, não existe tratamento eficaz — por isso, a prevenção é a única forma de proteção.

SERVIÇO

Vacinação antirrábica gratuita | Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) de Campinas

Disponível durante todo o ano, mediante agendamento, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo telefone (19) 2515-7044.

O caso registrado em Campinas mostra que, embora rara, a raiva continua presente e exige vigilância constante. Vacinar é um gesto simples que salva vidas — dos animais e das pessoas.

Se você mora em outra cidade, o alerta vale do mesmo jeito: procure a secretaria municipal de saúde ou o centro de controle de zoonoses da sua região para saber se a vacinação antirrábica gratuita está disponível e leve seu pet para se vacinar.

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