Registros da doença em morcegos e em animais domésticos em diferentes regiões do Brasil reforçam a importância da vacinação em dia e dos cuidados corretos diante de um possível contato
Casos de raiva têm sido registrados em morcegos e, em situações mais raras, em animais domésticos em diferentes regiões do Brasil. Quando a doença atinge um cão ou um gato, a variante identificada costuma estar associada aos morcegos, e a confirmação geralmente leva a ações de investigação, orientação da população e reforço da vacinação de cães e gatos na área atingida.
Uma doença grave, mas evitável
A situação reforça a importância da prevenção e da atenção da população. A raiva é uma doença viral de extrema gravidade que pode atingir diferentes mamíferos, incluindo cães, gatos e seres humanos. Após o aparecimento dos sinais clínicos, é praticamente sempre fatal, mas medidas adequadas após uma possível exposição podem prevenir o desenvolvimento da doença.
Morcegos exigem cuidado, não medo
Embora os morcegos sejam importantes para o equilíbrio ambiental, animais encontrados caídos, mortos, debilitados ou apresentando comportamento incomum não devem ser tocados.
“Um morcego nessas condições não deve ser manipulado, mesmo que pareça morto. O correto é manter crianças e animais domésticos afastados e acionar o serviço de zoonoses ou vigilância responsável pelo município. Não é preciso ter medo dos morcegos, mas é fundamental saber como agir diante de uma situação suspeita”, orienta a médica-veterinária Dra. Vivian Quito
Morcego dentro de casa: o que fazer
Também é preciso atenção quando um morcego entra em uma residência. Se o animal estiver voando, a recomendação é não tentar capturar ou tocar no animal e manter pessoas e animais domésticos afastados. Se estiver caído ou em uma situação anormal, a orientação é capturar, desde que seja possível fazer isso com segurança e sem tocar no animal. Nesse caso colocar sobre ele uma caixa ou balde para evitar que se desloque e tenha contato com pessoas ou animais, acionando em seguida a unidade de vigilância de zoonoses do município para o recolhimento. O animal não deve ser morto ou descartado, pois pode ser necessário encaminhá-lo para avaliação e investigação.
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Quando procurar um médico
Se houver mordida, arranhadura ou contato da saliva com ferimentos ou mucosas, a pessoa deve lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar atendimento médico. Em situações em que não seja possível descartar um contato, como quando alguém acorda e encontra um morcego dentro do quarto, também é importante buscar orientação de um serviço de saúde para avaliação.
“Isso não significa que qualquer pessoa que veja um morcego precise procurar atendimento médico. O que faz diferença é a possibilidade de contato. Se o animal apenas passou pelo ambiente e não houve interação, a situação é diferente de uma mordida, arranhadura ou de um contato que não possa ser descartado”, explica Vivian
Cão ou gato teve contato com um morcego?
Se um cão ou gato tiver contato com um morcego, for mordido, arranhado ou capturar o animal, o responsável pelo animal deve evitar novos contatos com pessoas e outros animais, comunicar a ocorrência ao serviço municipal de zoonoses e buscar orientação veterinária. A conduta será definida de acordo com as características do contato, o histórico de vacinação e os protocolos de vigilância.
“Mesmo quando não há um ferimento aparente, o contato entre um cão ou gato e um morcego precisa ser comunicado. A partir das circunstâncias do caso e do histórico de vacinação, a equipe responsável poderá orientar a conduta adequada”, alerta a veterinária
Vacinação em dia é a principal prevenção
A vacinação antirrábica de cães e gatos é uma das medidas mais importantes para prevenir a doença e deve ser mantida em dia. Mesmo animais que vivem dentro de casa precisam estar protegidos, já que morcegos podem entrar nas residências. Em muitos municípios brasileiros, a vacinação antirrábica é oferecida gratuitamente pela unidade de vigilância de zoonoses local, e vale a pena verificar a disponibilidade e o calendário na prefeitura da sua cidade.
No caso de uma mordida entre cães, a situação não significa automaticamente que houve risco de raiva. É necessário considerar o animal agressor, seu histórico de vacinação, a possibilidade de identificação e observação e as características da exposição. Quando o animal pode ser localizado e acompanhado, existem protocolos específicos para determinar a conduta.
Fique atento a mudanças de comportamento
A população também deve ficar atenta a alterações importantes e inesperadas de comportamento ou sinais neurológicos nos animais, como dificuldade para engolir, salivação excessiva, falta de coordenação, alterações de consciência ou paralisia. Esses sinais podem ocorrer em diversas doenças e, isoladamente, não significam que o animal esteja com raiva. Diante de qualquer alteração significativa, o animal deve ser avaliado por um médico-veterinário. Se houver histórico de contato com morcego ou outro animal potencialmente infectado, a ocorrência também deve ser comunicada ao serviço de zoonoses.
“Mais do que criar medo, precisamos transformar esse alerta em informação. As pessoas precisam saber reconhecer uma situação de risco e agir corretamente. Manter a vacinação dos animais em dia, evitar o contato com morcegos e buscar orientação diante de uma possível exposição são medidas fundamentais para prevenir a doença”, reforça Dra. Vivian Quito


