Casos de mal-estar em pets durante queima de fogos voltam a ser relatados nas redes sociais; veterinária explica os riscos fisiológicos do estresse agudo e como proteger os animais nesta época de comemorações
Os jogos do Brasil na Copa do Mundo de 2026 têm sido comemorados, em diversas cidades, com queima de fogos de artifício. Nas redes sociais, porém, também se multiplicam relatos de pets que passaram mal durante as comemorações. Um dos casos que circulou nos últimos dias foi o de Nick, cão da raça shih tzu de 1 ano e 7 meses, que, segundo publicações da responsável pelo animal, Larissa Almeida, teria morrido em Pedro Velho, no interior do Rio Grande do Norte, após apresentar convulsões durante a queima de fogos que celebrava o gol de empate do Brasil contra o Japão.
De acordo com o relato divulgado nas redes sociais, o cão teria se assustado com o barulho, apresentado tremores e perda de coordenação, e evoluído para convulsões. O triste episódio ilustra um risco real: especialistas alertam há anos para o impacto do estresse agudo causado por fogos de artifício na saúde de cães e gatos. E no final de semana de mais um jogo da seleção pelas oitavas de final, o Portal PetOn reforça o alerta e as informações.
Por que o barulho assusta tanto os pets
A reação de pânico que muitos pets apresentam diante dos estampidos tem explicação fisiológica. Cães e gatos têm capacidade auditiva superior à humana, captando sons em frequências mais amplas e volumes mais intensos.
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“Os estampidos dos fogos de artifício, associados às vibrações, flashes luminosos e à imprevisibilidade do ambiente, são interpretados pelo animal como uma ameaça. Eles não conseguem identificar a origem desse som, o que aumenta a sensação de insegurança e desencadeia a reação imediata de querer fugir e procurar um local seguro”, explica a médica-veterinária Jessica Moreira, gerente nacional de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó Pet.
Os riscos do estresse agudo
“Quando o animal se sente estressado e acuado, ele passa a apresentar tremores, fica ofegante e com salivação intensa, podendo desencadear posteriormente taquicardia e aumento da pressão arterial. Isso pode se agravar de forma severa, principalmente se ele já possui alguma doença crônica, como cardiopatias, ou no caso de animais idosos”, alerta a veterinária.
O desespero também provoca tentativas de fuga intempestivas. Esse comportamento frequentemente resulta em acidentes domésticos, traumas físicos e desaparecimento, comprometendo gravemente a qualidade de vida do animal.
Como proteger o pet durante a queima de fogos
- Mantenha portas e janelas fechadas e use cortinas grossas
- Deixe a televisão ligada ou use aparelhos de ruído branco para camuflar o som externo
- Ofereça brinquedos e petiscos para distração
- Evite punir o animal ou reforçar o comportamento de medo
- Permaneça próximo, respeitando o espaço do pet, mas mantendo supervisão
- Inicie o cuidado preventivo com pelo menos três dias de antecedência, com técnicas de dessensibilização e condicionamento positivo
Para além do manejo pontual no dia dos eventos, o cuidado preventivo é o que mais reduz o impacto do estresse. A rotina deve incluir gasto de energia com atividades físicas e enriquecimento ambiental constante, o que ajuda o animal a lidar melhor com situações de imprevisibilidade, como as comemorações que devem se repetir ao longo da Copa do Mundo.


