Assim como pais preparam kit de primeiros socorros para crianças, tutores devem planejar cuidados básicos para evitar imprevistos durante viagens com cães e gatos
A enfermeira Alessandra Medeiros nunca viaja sem sua “farmacinha pet”. Depois de passar por um susto durante férias em uma praia do litoral paulista, quando uma de suas cadelas apresentou vômitos e ela não encontrou produtos veterinários na cidade, a tutora aprendeu a lição: preparação é essencial. “Hoje, assim como organizo itens de primeiros socorros para mim, faço o mesmo para a Mel e a Tuca. Muitas vezes, nos destinos de férias, não há pet shops ou clínicas veterinárias por perto”, conta.
Com a chegada das férias de verão, cresce o número de famílias que incluem cães e gatos nos planos de viagem. Mas mudanças na rotina, novos ambientes e estímulos intensos podem impactar diretamente a saúde física e emocional dos pets. Por isso, especialistas recomendam que os tutores se antecipem e preparem um kit básico de cuidados.
“O sistema nervoso e o trato gastrointestinal dos animais estão intimamente ligados, e o estresse causado pela mudança de rotina pode desencadear alterações na microbiota, motilidade e permeabilidade intestinal”, explica Silmara Bonomi da Silva, Gerente Médica Veterinária da Avert Biolab Saúde Animal. Além disso, segundo a especialista, a quebra da rotina alimentar é comum durante as viagens, causando desequilíbrios e distúrbios digestivos.
Sinais de que o pet não está adaptado
Alessandra relata que aprendeu a observar mudanças no comportamento de Mel e Tuca durante as primeiras viagens. “A Mel ficava mais agitada, chorava mais e até perdeu o apetite no primeiro dia. Hoje sei que é normal e já levo produtos para ajudar nessa adaptação”, diz.
Leia mais:
- Produtos facilitam rotina de tutores que viajam com pets nas férias
- Cidade do interior paulista adota fogos sem ruído para celebrar o Ano Novo
- Creche faz formatura de “fim de ano letivo” para cachorros. Veja as fotos!
Um pet não adaptado ao ambiente pode apresentar vários sinais físicos e comportamentais: alterações no apetite, problemas gastrointestinais (principalmente diarreia e vômito), urinar fora do local habitual, isolamento, agitação, sinais de medo ou agressividade, vocalização excessiva e tremores corporais.
O que não pode faltar na “farmacinha pet”
Para montar um kit completo de cuidados, a médica veterinária Silmara Bonomi recomenda incluir:
- Produtos para higiene e cuidados com a pele: Shampoo e spray hidratante específicos para pets
- Solução otológica para limpeza das orelhas (especialmente após banhos de mar ou piscina)
- Suplementos para hidratação da pele e pelagem
“Assim como humanos, os pets podem apresentar ressecamento da pele devido ao contato com água do mar, piscina, areia, terra, exposição ao sol e ar-condicionado. Isso reduz a proteção natural da pele e pode causar coceiras e descamação”, alerta a especialista.
- Suplementos para equilíbrio intestinal: Probióticos e prebióticos que contribuem para o equilíbrio da flora intestinal
- Produtos para controle de estresse: Suplementos calmantes naturais (devem ser iniciados pelo menos 7 dias antes da viagem)
- Para gatos, difusores e sprays com feromônios podem ajudar na adaptação ao ambiente novo.
- Antiemético (para prevenção de náuseas e vômitos): Medicamentos específicos para administração antes de viagens ou situações estressantes (sempre com orientação veterinária)
- Petiscos funcionais: Snacks naturais para manter a rotina de recompensas e auxiliar na adaptação
Alessandra conta que passou a preparar a “farmacinha” com antecedência. “Começo a dar o suplemento para estresse uma semana antes de viajar. Durante a viagem, tenho tudo à mão: produtos de limpeza, hidratantes para as patinhas e pelagem, e até o antiemético para momentos de enjôo no carro”, relata.
Quando buscar ajuda profissional
A médica veterinária alerta que, em casos de mudanças definitivas de ambiente (como uma mudança de casa), o estresse pode ser duradouro e comprometer a saúde dos animais. Nesses casos, é recomendado consultar um profissional comportamentalista para traçar estratégias individuais de adaptação.
Para viagens e estadias temporárias, a preparação antecipada e o kit de primeiros socorros podem fazer toda a diferença. “Hoje viajo muito mais tranquila sabendo que tenho tudo o que a Mel e a Tuca podem precisar. É como ser mãe: a gente se prepara para não ser pega de surpresa”, conclui Alessandra.



