Tumor mamário está entre os cânceres mais frequentes em cadelas e gatas; veterinária da PUC-Campinas explica como observar sinais e o que fazer ao encontrar alterações
O Outubro Rosa, tradicionalmente dedicado à conscientização sobre o câncer de mama em mulheres, também lança luz sobre a saúde dos animais de companhia. O tumor mamário está entre os tipos de câncer mais frequentes em cadelas e gatas e pode ter comportamento agressivo, sobretudo nas felinas. Identificar a doença cedo é um dos fatores que mais pesam no sucesso do tratamento.
Segundo a médica-veterinária residente da Clínica Veterinária da PUC-Campinas, Gisele Sobral, os números justificam a atenção redobrada. “Nas cadelas, aproximadamente metade dos nódulos mamários pode ser maligna. Nas gatas, a proporção é ainda maior: cerca de oito em cada dez tumores mamários são malignos. Por isso, a observação regular dos animais pelos tutores pode fazer diferença no diagnóstico”, explica.
Como fazer o exame em casa
A avaliação pode ser feita uma vez por mês, aproveitando um momento de carinho. Com a cadela ou a gata deitada de barriga para cima ou de lado, o responsável pelo animal deve passar os dedos com delicadeza pelas duas fileiras de mamas, do peito até a região da virilha.
O objetivo é procurar caroços, mesmo que pequenos, além de inchaço, vermelhidão, aumento de temperatura, feridas ou secreção nos mamilos. As regiões das axilas e da virilha também devem ser observadas e apalpadas.
Encontrei um nódulo. E agora?
A presença de um nódulo não significa necessariamente câncer, mas sempre exige avaliação de um médico-veterinário. Isso porque os tumores mamários, sobretudo nos estágios iniciais, podem não causar dor nem qualquer mudança perceptível no comportamento do animal.
A recomendação é buscar atendimento logo, sem esperar para ver se o nódulo cresce. Na consulta, o profissional faz o exame físico das cadeias mamárias e pode pedir exames complementares, como radiografia do tórax e ultrassonografia abdominal, para verificar se a doença se espalhou.
A confirmação do diagnóstico vem da análise em laboratório do tecido retirado. Esse exame identifica as características do tumor e orienta a escolha do tratamento.
Como é o tratamento
A cirurgia é o principal tratamento para os tumores mamários. Quando a doença é descoberta cedo e o tumor ainda é pequeno, a retirada pode ser suficiente em alguns casos. Conforme as características do tumor e a avaliação veterinária, a quimioterapia pode ser indicada após o procedimento.
O que ajuda a prevenir
Fêmeas adultas e idosas, principalmente as não castradas, estão entre as que correm mais risco, já que os hormônios ligados ao ciclo reprodutivo participam do desenvolvimento da doença. “A castração pode reduzir o risco de tumores mamários, mas a indicação e o momento adequado do procedimento devem ser avaliados individualmente pelo médico-veterinário, levando em consideração fatores como espécie, raça, porte e estilo de vida do animal”, afirma Gisele.
Segundo a veterinária, outro ponto de atenção são os medicamentos hormonais usados para impedir o cio, conhecidos popularmente como “anticoncepcionais” ou “vacinas anti-cio”. Esses produtos são contraindicados por estarem associados a maior risco de problemas reprodutivos e de tumores mamários.
O controle do peso também entra na lista, já que a obesidade pode estar associada à saúde mamária. Alimentação adequada, atividade física e acompanhamento veterinário regular ajudam a manter o animal no peso ideal.
Cinco minutos por mês
A prevenção passa por gestos simples. Reservar alguns minutos, uma vez por mês, para observar e apalpar as mamas do animal ajuda a perceber alterações que, de outra forma, poderiam passar despercebidas.
Ao notar qualquer caroço ou mudança, mesmo pequena e mesmo que o animal pareça saudável, o caminho é procurar avaliação profissional. Quanto mais cedo vem o diagnóstico, maiores as possibilidades de tratamento e melhor o prognóstico.


