Animal de rua dormiu por quatro dias na cama de um estande na Feira do Bordado de Ibitinga (SP) e virou mascote do evento até ser adotado pelo próprio expositor
Um cachorro que vivia nas ruas ganhou um novo lar depois de escolher, por conta própria, uma cama de exposição para dormir durante a 50ª edição da Feira do Bordado de Ibitinga, no interior de São Paulo, considerada a maior do segmento no Brasil. O animal apareceu nos primeiros dias do evento e passou a circular pelo recinto sem nenhum responsável até se instalar em um dos estandes, onde permaneceu por quatro dias.
Batizado de Jumo pelos frequentadores da feira, o cão despertou a atenção dos funcionários do estande escolhido, que avisaram o empresário Osvaldo de Moraes sobre a presença do animal em uma das camas expostas para venda. Em vez de afastá-lo, Osvaldo optou por deixá-lo à vontade. “O pessoal avisou: ‘Você sabia que tem um cachorro deitado em cima da nossa cama?’. Nós tínhamos colocado lá lençóis e cobre-leitos de linha alta. Eu falei para deixarem o cachorro deitar e descansar, que não tinha problema”, relata o empresário.
Dez camas, uma escolhida
A decisão transformou o cão em uma atração à parte durante toda a feira. Visitantes passaram a registrar a cena e compartilhá-la nas redes sociais, e os vídeos somaram milhares de visualizações. Nas publicações, o animal passou a ser chamado de “o novo mascote da Feira do Bordado de Ibitinga”. Batizadoinicialmente de Negão pelos frequentadores, ele ganhou fama e depois foi rebatizado como Jumo, nome que carrega até hoje como um dos personagens mais comentados do evento. Segundo Osvaldo, o que mais chamava atenção era o comportamento do animal: mesmo saindo para passear pelo recinto, ele sempre retornava ao mesmo lugar. “A cena começou a viralizar, com as pessoas postando e tirando fotos. O mais curioso é que o cachorro saía e voltava para a mesma cama. No meio de dez camas montadas no estande, ele escolheu justamente aquela”, conta o empresário.
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Nas imagens que circularam durante os dias de feira, Jumo aparece dormindo profundamente, coberto por roupas de cama, sem se incomodar com o barulho, a movimentação de visitantes ou o fluxo intenso do evento.
Um novo lar ao fim da feira
Com a repercussão da história e o vínculo criado ao longo dos dias, Osvaldo decidiu levar o cão para casa no último dia da feira, no domingo (12). “No domingo, a feiraacabou e eu decidi levá-lo embora. Ele estava lá na cama, peguei no colo e levamos para a minha casa. Estamos cuidando dele agora”, afirma.
Para o empresário, a adoção acabou sendo um presente para toda a família, incluindo os dois netos que agora terão a companhia do animal. “Eu tenho dois netos. Está sendo uma alegria para toda a família. Foi um presente que ganhei para dar carinho e amor para ele”, afirma Osvaldo.
Pouco mais de uma semana de doção, Jumo já está totalmente ambientado em sua nova casa. Segundo Osvaldo, o cão se adaptou bem à rotina da família e à companhia dos netos, e o vínculo criado ainda na feira se consolidou dentro de casa. Jumo já ganhou roupinha, coleira e uma cama especial, prova de que o gosto por conforto revelado ainda na feira, quando escolheu dormir em uma cama de exposição, seguiu com ele para o novo lar. “A cama dele é um berço antigo com almofadas e manta. Tudo feito com muito carinho”, conta Osvaldo. Mas o cão também arranjou um segundo cantinho preferido em casa: a cama do próprio Osvaldo, onde costuma se deitar bem à vontade.
A história de Jumo reforça um lembrete recorrente entre defensores da causa animal: pequenos gestos de acolhimento, como não afastar um animal que busca abrigo, podem ser o primeiro passo para uma adoção responsável e duradoura.


