Vídeo de cachorrinha deixada na calçada revolta país e reacende debate sobre responsabilidade na adoção
As imagens são difíceis de assistir: uma mulher para o carro, desce, deixa uma cachorrinha preta na calçada sobre um paninho e vai embora. O animal corre atrás do veículo, volta desorientado, dá voltas e permanece perdido no paninho, sem entender o que aconteceu.
O caso aconteceu há uma semana, no dia 13 de janeiro, no bairro Chácaras Cruzeiro do Sul, em Campinas (SP), e as câmeras de segurança flagraram cada segundo do abandono. A cena gerou revolta nas redes sociais e reacendeu um debate urgente: o abandono de animais no Brasil não é apenas um ato isolado de crueldade – é parte de um problema estrutural gravíssimo.
30 milhões de animais abandonados: um país que precisa olhar para dentro
O Brasil convive hoje com 30 milhões de animais abandonados, segundo dados do Instituto Pet Brasil. Esse número não para de crescer e revela uma crise que abrigos, ONGs e protetores não conseguem resolver sozinhos.
Os dados são alarmantes:
- Mais de 210 mil animais vivem atualmente sob cuidados de ONGs e protetores independentes
- Cerca de 4,8 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade no país
- A maioria dos abrigos opera no limite: poucos recursos, superlotação constante e fluxo contínuo de novos casos.
“Levar um animal para um abrigo pode parecer a escolha mais responsável, mas na prática isso muitas vezes significa transferir uma responsabilidade que já tinha sido assumida”, explicam os protetores do GRAD, Grupo de Resposta a Animais em Desastres.
O caso Pantera: abandono que comoveu o Brasil
A cachorrinha abandonada em Campinas recebeu o nome de Pantera por uma moradora que a acolheu temporariamente. Após o caso repercutir, a autora do abandono foi localizada pela Polícia Civil e por ativistas da causa animal, incluindo o grupo @cadeiaparamaustratos.
A mulher responderá criminalmente pelo crime de abandono. Pantera foi colocada para adoção responsável e está bem, sem ferimentos.
Abandono é crime
No Brasil, abandonar animais é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98). Desde 2020, com a atualização da Lei Sansão (Lei 14.064/2020), as penas para maus-tratos contra cães e gatos podem chegar a 5 anos de prisão, além de multa e proibição de guarda.
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O abandono se enquadra como maus-tratos e é passível de denúncia e responsabilização criminal.
Janeiro: mês crítico para o abandono
O problema se agrava neste período: mudanças de rotina, férias, viagens e adoções impulsivas que acabam se transformando em abandono fazem de janeiro um dos meses mais difíceis para abrigos e protetores.
A proteção animal começa antes da adoção
A verdadeira proteção animal precisa começar antes – na decisão, no planejamento e na honestidade sobre o que é possível sustentar a longo prazo.
Antes de adotar, pergunte a si mesmo:
- Estou pronto para oferecer cuidados, carinho e bem-estar enquanto esse animal viver?
- Tenho recursos financeiros para vacinas, veterinário, alimentação e emergências?
- Minha rotina permite tempo e dedicação para um pet?
- Todos na família estão de acordo com a adoção?
Nem sempre a escolha responsável é adotar. Às vezes, é reconhecer que ainda não é o momento.
Se você não consegue adotar, quem sabe pode ajudar ONGs e protetores – e não precisa ser só com doação de dinheiro, o que ajuda muito. Você pode ser lar temporário, voluntário em feiras de adoção e carona, ou até mesmo passear e dar carinho a esses animais.
Animais não são descartáveis
O caso de Pantera é apenas um entre milhões. Cada animal abandonado carrega uma história de confiança quebrada, de vínculo rompido, de vida colocada em risco.
Animais não são seres descartáveis. Eles sentem, sofrem, confiam.
A adoção responsável garante segurança ao animal e reduz impactos sobre abrigos e protetores que já trabalham no limite. Antes de adotar, informe-se, planeje, avalie sua rotina e seu compromisso com essa vida.
Porque todo animal merece ter uma família para sempre – não apenas até cansar.
Ficou emocionado com a história de Pantera e quer fazer diferença? Conheça abrigos e ONGs da sua região, apoie protetores independentes e, se estiver pronto, considere a adoção responsável. Juntos, podemos mudar essa realidade.



