Entenda como duas substâncias presentes no cacau agem no organismo dos animais e quais cuidados tomar durante esse período
Em 2022, a jornalista Gabriela Ferraz chegou à casa da mãe e encontrou apenas a embalagem rasgada no chão. A Spitz Alemão Amélie, que havia ficado sozinha naquele dia, tinha conseguido abrir a porta da despensa, vasculhar uma caixa de papelão com compras e devorar uma barra inteira de chocolate meio amargo. “Quando cheguei, ela estava muito agitada, de uma maneira estranha. Ficava raspando o rostinho no chão”, relata Gabriela. Pouco depois, a cadela começou a vomitar sem parar, até sangue.
Gabriela correu para o veterinário. O diagnóstico foi úlcera, com um mês de tratamento pela frente. Amélie se recuperou sem precisar de internação, mas o susto foi grave. “Eu nem tinha ideia da gravidade que era”, admite a jornalista. “Fui pesquisar e vi que o chocolate amargo era pior ainda, por conta da concentração de cacau.” Agora, na casa da Gabriela e da Amélie, chocolate é sob supervisão e guardado a sete chaves.
O caso da Amélie não é exceção. Segundo o médico-veterinário Francis Flosi, diretor da Faculdade Qualittas, a intoxicação por chocolate é uma das ocorrências mais comuns na rotina clínica veterinária durante datas comemorativas, e a Páscoa, com a fartura de ovos e barras de chocolate em casa, concentra boa parte desses casos.
Por que o chocolate é tóxico para pets?
O problema está em duas substâncias presentes no cacau: a teobromina e a cafeína. Enquanto o metabolismo humano processa esses compostos com relativa eficiência, cães e gatos eliminam essas substâncias muito mais lentamente, o que permite seu acúmulo no organismo e a consequente toxicidade.
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Quanto mais escuro o chocolate, mais concentrada é a teobromina e, portanto, maior o risco. Chocolates amargos e em pó para uso culinário são os mais perigosos. O chocolate ao leite também representa risco real, especialmente para animais de pequeno porte. “Mesmo pequenas quantidades podem causar intoxicação grave”, alerta Flosi. “Muitas vezes o tutor acredita que um pedacinho não faz mal, e esse é justamente o erro mais perigoso.”
Sinais de intoxicação por chocolate em pets
• Vômitos e diarreia (surgem entre 6 e 12 horas após a ingestão)
• Agitação, inquietação e sede excessiva
• Aumento da frequência urinária e respiração acelerada
• Tremores musculares e arritmias cardíacas
• Convulsões e aumento da temperatura corporal
• Em casos graves: coma e risco de morte
O que fazer se o animal ingerir chocolate?
A orientação do especialista é clara: não espere os sintomas aparecerem ou piorarem. Ao suspeitar ou confirmar a ingestão, procure atendimento veterinário imediatamente. O tratamento precoce aumenta significativamente as chances de recuperação e pode incluir indução de vômito, uso de carvão ativado para reduzir a absorção da toxina, fluidoterapia e monitoramento cardíaco.
“Ao menor sinal de intoxicação, agir rápido pode salvar a vida do pet. Nunca espere os sintomas piorarem para buscar ajuda”, orienta Flosi.
Outros cuidados importantes durante a Páscoa
Além do chocolate, a data traz outros riscos que merecem atenção. Alimentos típicos como o bacalhau não são tóxicos em si, mas espinhos podem causar engasgos e lesões internas graves. Temperos, excesso de sal e preparações gordurosas também fazem mal e podem desencadear problemas digestivos e até doenças crônicas.
As mudanças na rotina também pedem atenção: maior circulação de pessoas, barulhos e alterações nos horários de alimentação e passeio podem gerar estresse nos animais. Sempre que possível, mantenha os hábitos cotidianos do pet.
Informação é a melhor prevenção
Orientar crianças e visitas sobre o que os pets podem ou não ingerir, manter chocolates e alimentos fora do alcance dos animais e oferecer apenas produtos formulados para pets são medidas simples que fazem toda a diferença. Em caso de qualquer comportamento diferente do habitual, a recomendação é sempre a mesma: busque um veterinário sem demora.



