Por que os gatos são menos mimados que os cães?

Estudo aponta que felinos recebem até quatro vezes menos petiscos do que os cães e levanta debate sobre comportamento, relação com tutores e novas estratégias do mercado pet

 

Quem convive com pets pode até perceber diferenças na forma como cães e gatos são tratados no dia a dia, mas um estudo recente trouxe números claros para essa percepção: os gatos recebem até quatro vezes menos petiscos do que os cães. O dado chamou atenção do mercado pet e reacendeu uma discussão curiosa sobre como humanos se relacionam com os felinos.

O tema ganhou tanta repercussão que chegou até aos gramados do futebol. No último domingo, durante a final do Paulistão Casas Bahia 2026, o mascote RabuGato, da marca DREAMIES™, protagonizou um protesto bem-humorado nas arquibancadas ao entrar fantasiado de cachorro. A ação faz parte da campanha “Quero ser Mimado como um Cão”, criada justamente para chamar atenção para a diferença apontada pelo estudo.

A ideia foi provocar uma reflexão entre os tutores de forma leve e divertida

“Ao trazer o gato fantasiado de cachorro, reforçamos os elementos da nossa campanha, que utiliza a ironia como ferramenta para evidenciar a diferença apontada na pesquisa sobre a forma como cães e gatos recebem petiscos”, afirma Laura Reis, gerente de marketing de DREAMIES™ na Mars Pet Nutrition.

Segundo ela, aproveitar um evento de grande audiência, como uma final de campeonato, foi uma forma de ampliar a conversa sobre o comportamento dos tutores e incentivar uma nova forma de interação com os felinos.

Diferença que tem explicação no comportamento

Embora o número chame atenção, especialistas apontam que a diferença pode ser explicada, em parte, pela própria forma como cães e gatos se relacionam com os humanos.

Os cães foram historicamente domesticados para viver em cooperação direta com as pessoas, respondendo bem a comandos, treinamentos e recompensas. Nesse contexto, petiscos são frequentemente usados como estímulo positivo, reforçando comportamentos desejados.

Já os gatos têm uma trajetória evolutiva diferente. Mais independentes por natureza, eles mantêm muitos comportamentos próximos aos de seus ancestrais selvagens. Isso faz com que a interação com humanos seja mais sutil e menos baseada em obediência ou treinamento, o que pode reduzir o uso de petiscos no cotidiano.

Leia mais: 

Isso não significa, no entanto, que os felinos não respondam a estímulos. Pelo contrário: quando utilizados de forma adequada, petiscos também podem fortalecer vínculos, estimular brincadeiras e até ajudar em rotinas de enriquecimento ambiental.

Mercado aposta em novas formas de interação

A discussão sobre o “mimo felino” acompanha uma mudança importante no mercado pet. Com o crescimento do número de gatos nos lares brasileiros, a indústria vem ampliando produtos e estratégias voltadas especificamente para esse público.

Hoje, há uma variedade crescente de petiscos desenvolvidos para estimular brincadeiras, recompensar comportamentos e criar momentos de interação entre tutor e gato. A lógica é semelhante à já consolidada entre os cães: associar pequenos agrados a experiências positivas.

Campanhas criativas, como a que levou um gato fantasiado de cachorro a um estádio de futebol, refletem justamente essa tentativa de aproximar tutores e felinos por meio do humor e da informação.

A resposta, afinal

No fim das contas, a explicação para os gatos serem menos mimados do que os cães passa por uma combinação de fatores: comportamento, história de domesticação e hábitos culturais dos tutores.

Mas esse cenário começa a mudar. À medida que as pessoas entendem melhor o comportamento felino e descobrem novas formas de interação, cresce também o reconhecimento de que os gatos podem, e talvez devam, ser mimados tanto quanto os cães.

Mesmo que, claro, do jeito único e independente que só os felinos sabem ser.

Relacionadas

- Publicidade -spot_img

Últimas notícias