Carnaval amplia riscos à saúde animal e reforça orientação preventiva

Período festivo demanda orientação técnica aos tutores para prevenir intercorrências clínicas e situações de risco

 

O Carnaval é sinônimo de festa, música alta e ruas cheias, mas para cães e gatos esse período representa um aumento significativo nos riscos à saúde animal. Barulho intenso, calor e aglomerações podem desencadear estresse, ansiedade e complicações clínicas, exigindo atenção redobrada de profissionais veterinários e tutores.

A médica veterinária do Hospital AmarVet’s, Larissa Mazio, explica que sons intensos podem atuar como gatilho para respostas neurológicas adversas. “Sons intensos causam medo e ansiedade e, em pacientes com distúrbios neurológicos, podem até desencadear convulsões. Além disso, o calor excessivo e a grande circulação de pessoas aumentam o risco de fugas, atropelamentos e ingestão de substâncias tóxicas, como espumas, glitter e restos de alimentos inadequados”, destaca.

Nesse cenário, filhotes, idosos, animais com comorbidades e raças braquicefálicas, como pug e bulldog, apresentam maior vulnerabilidade. O recomendado é que esses animais não sejam expostos a festas ou bloquinhos, priorizando ambientes seguros e controlados, com acesso a água fresca e ventilação adequada.

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Mesmo em casa, alterações na rotina, estímulos sonoros intensos e menor atenção do tutor podem induzir ansiedade, medo, agressividade e mudanças no comportamento alimentar. “Entre os sinais de alerta estão ofegação intensa, língua muito vermelha, fraqueza, salivação excessiva, vômitos, apatia, dificuldade para andar e alterações na urina. Convulsões, dificuldade para respirar, apatia intensa, vômitos persistentes ou suspeita de ingestão de substâncias tóxicas exigem avaliação veterinária imediata”, orienta Larissa.

A alimentação durante as festividades merece atenção especial, e os tutores não devem oferecer alimentos humanos, doces, chocolate, bebidas alcoólicas ou restos de festa. Lixeiras devem permanecer bem fechadas e a ração habitual deve ser mantida, prevenindo que o animal ingira substâncias inadequadas. Produtos típicos de folia, como espumas e glitter, também podem causar intoxicações, irritações gastrointestinais e dermatites, além de inflamações no ouvido caso entrem no canal auditivo.

As fantasias também exigem cuidados. Elas não devem apertar, esquentar demais ou restringir os movimentos. O animal precisa conseguir se movimentar naturalmente e respirar sem esforço.

“O Carnaval pode ser divertido para os tutores, mas representa um período de alto estresse para os animais. Protocolos preventivos e orientação adequada aos tutores são fundamentais para garantir o bem-estar animal”, conclui a médica.

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