Novas vacinas e protocolos mais individualizados ampliam a prevenção felina e reforçam a importância do acompanhamento contínuo na saúde dos gatos
A vacinação de gatos no Brasil vive um novo momento. Com o avanço de tecnologias e protocolos mais personalizados, a medicina veterinária passa a adotar estratégias de prevenção cada vez mais ajustadas ao perfil de cada animal, considerando fatores como idade, estilo de vida, ambiente e risco de exposição a doenças.
Na prática, isso significa abandonar a lógica de um protocolo único para todos os gatos e adotar uma abordagem mais individualizada — uma tendência que ganha força no mercado veterinário.
Esse movimento foi reforçado com a ampliação da linha Purevax, da Boehringer Ingelheim, que anunciou duas novas vacinas no Brasil: a tríplice (RCP), voltada à proteção contra rinotraqueíte, calicivirose e panleucopenia felina, e a quádrupla (RCP-CH), que adiciona proteção contra clamidiose felina.
O lançamento foi apresentado em coletiva de imprensa realizada no dia 30 de abril.
Vacinação personalizada ganha espaço
Mais do que ampliar um portfólio, o movimento reforça uma mudança importante na medicina felina: cada gato pode precisar de um protocolo diferente.
A definição da vacinação passa a considerar fatores clínicos e comportamentais que influenciam diretamente o risco de exposição.
Para Juliana Goldschmidt, gerente de Biológicos da Boehringer Ingelheim, esse é um avanço importante na prática veterinária.
“A gente não tem uma vacina que vai se adequar melhor para todos os gatos. Existe a mais adequada para cada perfil de paciente”, afirma.
Segundo ela, a escolha não envolve mais ou menos proteção, mas a proteção adequada para cada realidade.
“A escolha não é sobre mais ou menos proteção, é sobre a proteção na medida certa para cada gato”, completa.
Tecnologia reduz desconforto e amplia segurança
Entre os diferenciais técnicos está a tecnologia recombinante, que amplia a segurança imunológica, além da formulação sem adjuvantes — um ponto importante na vacinação felina.
Segundo Juliana, a linha Purevax é atualmente a única no mercado brasileiro totalmente livre de adjuvantes e com volume reduzido de aplicação.
“A linha é a única 100% isenta de adjuvantes e também a única no mercado brasileiro que contém apenas meio ml”, explica.
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Na prática, isso reduz o desconforto durante a vacinação e torna o procedimento mais rápido.
“Quando ele vai sentir o que está acontecendo, a vacinação acabou”, relata.
Outro avanço importante está no tempo de proteção, que pode chegar a até três anos para algumas doenças, após o protocolo inicial.
Brasil se consolida como mercado estratégico para saúde felina
A ampliação do portfólio acontece em um momento de crescimento da população felina no país.
O Brazil já ocupa a terceira posição mundial em número de gatos e segue registrando crescimento consistente desde a pandemia.
Para Bianca Cadah, gerente de marketing de pets da Boehringer Ingelheim, esse cenário fortalece o papel estratégico do Brasil dentro da operação global.
“A saúde animal e a saúde humana estão profundamente conectadas. A gente acredita que quando os animais são mais saudáveis, as pessoas também são”, afirma.
Baixa adesão ainda é desafio
Apesar do avanço tecnológico, a adesão à vacinação de gatos ainda é um desafio importante no Brasil.
O médico-veterinário Archivaldo Reche Junior alerta que muitos tutores ainda têm uma visão limitada sobre prevenção.
“Muitos responsáveis ainda têm a ideia de que a única vacina que o gato precisa tomar é a antirrábica”, afirma.
Além disso, fatores comportamentais como o estresse no transporte até a clínica acabam reduzindo a frequência das visitas veterinárias.
Leucemia felina segue no radar
Entre as principais preocupações está a Feline leukemia virus infection, uma das doenças mais graves para gatos.
A condição compromete o sistema imunológico e pode impactar diretamente a expectativa e a qualidade de vida.
“É uma doença muito grave, que compromete a expectativa e a qualidade de vida do gato”, explica Archivaldo.
Segundo o especialista, o cenário ainda exige atenção.
“A prevenção está aí. Hoje temos vacinas eficazes, mas ainda falta informação e adesão”, reforça.
Prevenção exige acompanhamento contínuo
A vacinação felina deixou de ser um evento isolado e passou a fazer parte de uma estratégia contínua de prevenção.
O protocolo precisa ser reavaliado regularmente, acompanhando mudanças na rotina e no ambiente do animal.
“O protocolo tem que ser reavaliado ano a ano. Você precisa avaliar o estilo de vida do animal para definir como dar continuidade à vacinação”, explica Archivaldo.
A vacina antirrábica continua obrigatória no Brasil, mas o cuidado preventivo vai além dela.
E diante de doenças graves e muitas vezes sem tratamento definitivo, a vacinação continua sendo a ferramenta mais importante para proteger a saúde e a longevidade dos gatos.
“Tem doenças que, uma vez que o gato adoece, ele vai morrer. Não há tratamento. Então, a prevenção é a nossa mais importante ferramenta”, conclui.



