Seu pet sabe quanto tempo você ficou fora?

Experimentos mostram que cães reagem de maneira diferente após períodos maiores de separação, mas isso não significa que percebam as horas como os humanos

 

Você fecha a porta de casa, passa algumas horas fora e, quando retorna, encontra o cachorro esperando. Festa, rabo abanando, aproximação e busca por contato. Para o tutor, surge uma pergunta quase inevitável: ele sabe se fiquei fora por meia hora ou por quatro horas?

A ciência já encontrou algumas pistas interessantes. Uma delas veio de um experimento publicado na revista Applied Animal Behaviour Science, no qual pesquisadores acompanharam 12 cães adultos em suas próprias casas. Cada animal foi deixado sozinho em três situações diferentes: por 30 minutos, duas horas e quatro horas.

Durante o período em que estavam sozinhos, os cães passaram grande parte do tempo descansando e não apresentaram diferenças comportamentais claras relacionadas à duração da ausência antes de perceberem que seus tutores estavam retornando.

Foi no reencontro que algo mudou.

Depois das separações mais longas, os cães apresentaram comportamento de saudação mais intenso. Houve maior frequência de movimentos de cauda, atividade física, atenção e procura por contato com os tutores. Algumas dessas diferenças já apareceram depois de duas horas de separação.

Isso significa que o cachorro contou as horas?

Não exatamente.

Relógio não, passagem do tempo sim

Os próprios pesquisadores fazem uma distinção importante: o experimento demonstrou que os cães foram afetados pela duração do período que passaram sozinhos, mas não permite saber exatamente como eles perceberam essa passagem do tempo.

Em outras palavras, não há evidência de que um cachorro pense em unidades abstratas como “duas horas” ou “quatro horas”. O que existe são mudanças comportamentais associadas a períodos diferentes de ausência.

Outro estudo, com 45 cães, analisou comportamentos durante a separação e o reencontro com os tutores e encontrou diferenças relacionadas inclusive à presença de problemas associados à separação. Nos cães sem esses problemas, a atividade diminuiu à medida que o período de separação aumentava.

Isso também ajuda a mostrar que não existe necessariamente uma resposta igual para todos os animais. Temperamento, rotina e dificuldades relacionadas à separação podem interferir no comportamento.

Para um cão, a passagem do tempo também pode estar associada a uma série de pistas do ambiente. Claridade, sons da casa e da rua, atividades habituais e diferentes componentes da rotina podem funcionar como referências. Isso, porém, é diferente de afirmar que ele possui uma representação das horas semelhante à nossa.

Por isso, quando o tutor chega depois de um longo dia e percebe uma recepção particularmente entusiasmada, existe respaldo científico para uma parte dessa impressão: a duração da ausência pode influenciar o comportamento do cachorro no reencontro.

A ciência ainda não consegue dizer que ele sabe que foram exatamente quatro, seis ou oito horas.

Mas também não é correto afirmar que, para ele, meia hora e várias horas sejam necessariamente a mesma coisa.

A Ciência dos Pets é o quadro do Portal PetOn que busca na ciência respostas para comportamentos e curiosidades do cotidiano dos animais de estimação.

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