Salivação intensa, vômitos e convulsões estão entre os sinais de emergência; saiba como agir nos primeiros minutos e proteger seu companheiro
Com o calor e as chuvas do verão, os sapos aparecem com mais frequência nos quintais — e trazem consigo um perigo silencioso para quem tem cachorro ou gato em casa. A curiosidade natural dos pets pode transformar um encontro aparentemente inofensivo em uma emergência veterinária: a intoxicação por bufotoxina, o veneno presente na pele desses anfíbios.
Diferente de animais que atacam ativamente, os sapos só liberam a toxina quando são pressionados ou abocanhados. Por instinto de caça ou simples curiosidade, os cães acabam sendo as principais vítimas desse tipo de acidente doméstico, embora os gatos também possam se intoxicar.
Como acontece a intoxicação
“O veneno é liberado por glândulas localizadas na pele do anfíbio e é rapidamente absorvido pela mucosa da boca do animal”, explica Fabiana Volkweis, professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB). O grande risco está na velocidade: “Como a toxina entra direto na corrente sanguínea, o quadro pode evoluir de uma simples irritação para uma emergência neurológica ou cardíaca em poucos minutos”.
Sinais de que seu pet foi intoxicado
Os sintomas costumam surgir quase imediatamente após o contato. A professora Fabiana alerta para três níveis de gravidade:
Sintomas leves: irritação intensa na boca e salivação excessiva.
Sintomas moderados: vômitos, fraqueza, andar cambaleante, aumento da frequência cardíaca e perda do controle da urina ou das fezes.
Sintomas graves: convulsões, pupilas dilatadas, dificuldade para respirar, mucosas arroxeadas e incapacidade de ficar em pé.
O que fazer nos primeiros minutos
Se você suspeita que seu pet teve contato com um sapo, a rapidez faz toda a diferença. “A primeira medida é lavar a boca do animal com água corrente em abundância para remover o excesso de toxina”, orienta a veterinária. O cuidado mais importante é manter a cabeça do pet voltada para baixo durante a lavagem, evitando que ele engula a água contaminada, o que poderia agravar ainda mais a intoxicação.
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Mesmo que o único sinal seja salivação excessiva, procure atendimento veterinário imediatamente. “A velocidade do socorro é decisiva para o prognóstico. O animal precisa ser monitorado por um médico-veterinário, pois a bufotoxina pode causar arritmias e danos severos ao sistema nervoso central”, reforça Fabiana.
Como proteger seu companheiro
Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de acidentes:
Mantenha o quintal limpo e reduza focos de umidade onde os sapos costumam se abrigar. Supervisione seu pet durante os passeios noturnos, período em que os sapos ficam mais ativos. Evite iluminação externa que atraia insetos — que, por sua vez, atraem os sapos. Em épocas chuvosas, reforce a atenção, já que a presença desses anfíbios aumenta naturalmente.
Por que há mais sapos no verão
O aumento de sapos durante os meses mais quentes não é coincidência. A combinação de temperaturas elevadas e chuvas frequentes cria o ambiente perfeito para esses anfíbios. Sua pele permeável exige umidade constante para evitar desidratação, e as poças temporárias formadas pelas chuvas são locais ideais para reprodução. Além disso, a abundância de insetos durante a noite — principal alimento dos sapos — acaba atraindo os sapos ainda mais para perto das residências, especialmente áreas com iluminação externa.
O resultado é um aumento visível no número de sapos jovens que completam sua metamorfose e deixam as lagoas ao mesmo tempo, tornando os encontros com os pets muito mais frequentes nesta época do ano e aumentando os riscos para seu companheiro. Por isso, vale redobrar os cuidados e a vigilância durante o verão.



