Estudo científico demonstra que mudanças no cheiro do suor e da respiração permitem aos cães identificar sinais associados ao estresse humano
Você já percebeu seu cachorro se aproximando justamente em um momento de tensão ou nervosismo? Para muitos tutores, essa atitude parece demonstrar uma sensibilidade especial dos animais ao estado emocional das pessoas. E a ciência descobriu que existe uma explicação biológica que pode ajudar a compreender esse comportamento.
Os cães possuem um sistema olfativo altamente desenvolvido, capaz de identificar odores e variações químicas que passam despercebidos pelos seres humanos. Essa habilidade permite reconhecer pessoas, explorar ambientes e perceber mudanças fisiológicas em outros indivíduos.
Uma pesquisa realizada por cientistas da Queen’s University Belfast, na Irlanda do Norte, demonstrou que cães treinados conseguiram diferenciar amostras de suor e respiração de pessoas em situações de tranquilidade e estresse psicológico.
O estudo, publicado em 2022 na revista científica PLOS ONE, utilizou amostras coletadas de 36 participantes antes e depois de uma atividade destinada a provocar estresse, envolvendo cálculos matemáticos. Os pesquisadores também acompanharam indicadores fisiológicos e relatos dos voluntários para confirmar as alterações provocadas pela tarefa.
Quatro cães participaram dos testes de identificação dos odores. Os resultados demonstraram que os animais conseguiram distinguir as amostras associadas ao estresse daquelas obtidas em condições normais. 
A explicação está nas alterações fisiológicas provocadas pelo estresse. Quando uma pessoa enfrenta uma situação de tensão, o organismo desencadeia respostas que podem modificar a composição de substâncias liberadas pelo suor e pela respiração. Essas mudanças envolvem compostos orgânicos voláteis que podem ser percebidos pelo olfato canino.
Isso não significa que os cães compreendam exatamente o motivo da preocupação humana ou consigam interpretar sentimentos da mesma maneira que uma pessoa. A pesquisa demonstrou a capacidade de identificar diferenças químicas associadas ao estresse, mas não comprovou que todos os cães reconheçam espontaneamente o estado emocional de seus tutores.
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Ainda assim, a descoberta amplia o conhecimento sobre a comunicação entre humanos e animais. Ela também contribui para estudos envolvendo cães de assistência, especialmente aqueles preparados para acompanhar pessoas com necessidades específicas de apoio emocional.
No cotidiano, o comportamento dos cães pode ser influenciado por diferentes informações, incluindo odores, expressões faciais, movimentos e mudanças na rotina. A combinação desses sinais ajuda a explicar por que alguns animais parecem perceber quando algo está diferente com seus tutores.
A ciência mostra, portanto, que a sensibilidade dos cães não depende apenas da convivência ou do vínculo afetivo. Existe também uma sofisticada capacidade sensorial que permite identificar mudanças no organismo humano, mesmo quando nenhuma palavra é pronunciada.


