*Por Natália Nigro de Sá
Da comunicação de más notícias ao suporte ao luto, o pós-morte de pets segue sem protocolo na maioria das clínicas, e o setor começa a buscar soluções
A evolução da medicina veterinária e a mudança na relação entre responsáveis pelos animais e seus pets têm elevado o nível de exigência sobre os serviços prestados por clínicas. Nesse contexto, um ponto ainda pouco estruturado ganha relevância crescente: o manejo do pós-morte de pets e seus impactos, tanto na experiência do responsável pelo animal quanto na experiência da equipe de saúde veterinária.
Embora o setor avance em diagnóstico e tratamento, a etapa final da jornada ainda representa um desafio. A comunicação de más notícias e o suporte ao luto pet seguem, muitas vezes, sem protocolos definidos, o que pode tornar esse momento burocrático e emocionalmente desgastante para responsáveis pelos animais e equipes.
O luto antecipatório, comum em casos de doenças graves ou diagnósticos delicados, já faz parte da rotina clínica e exige preparo dos profissionais. Em minha atuação como psicóloga especializada em luto e saúde mental na medicina veterinária, vejo que esse processo começa antes da perda e envolve uma carga emocional significativa, que precisa ser reconhecida. Quando não há acolhimento adequado, o impacto pode ser ainda maior no momento da despedida.
Leia mais:
- Eutanásia pet: o impacto emocional de narrativas simplificadas sobre o fim da vida dos animais
- Luto: como lidar com a perda do pet
- Curiosidades sobre coelhos: 7 coisas que você precisa saber antes de ter um pet na Páscoa
Além da complexidade emocional, há também questões operacionais. Muitas clínicas não dispõem de estrutura, equipe ou tempo para conduzir todas as etapas do pós-morte, o que pode comprometer a percepção do atendimento, mesmo quando o cuidado clínico foi adequado.
Parcerias especializadas como caminho
Diante desse cenário, cresce a busca por soluções que apoiem as clínicas na oferta de uma jornada mais completa ao responsável pelo animal. Parcerias com serviços especializados em funeral pet e acolhimento ao luto têm se consolidado como alternativa para lidar com esse momento de forma estruturada.
Foi a partir dessa percepção que fundei a Laika Assistência e Funeral Pet, que atua nesse segmento com atendimento 24 horas, assumindo desde a remoção do animal até a cremação e a entrega das cinzas. A proposta é garantir suporte operacional e psicoemocional ao responsável pelo animal, permitindo que a clínica mantenha o foco no atendimento médico.
O luto pet não começa na perda e não termina na despedida. Quando existe acolhimento adequado, a experiência do responsável pelo animal se transforma e o impacto emocional pode ser mais elaborado. O cuidado no pós-morte tende a se consolidar como parte essencial da jornada veterinária.
Benefício para toda a equipe
Além de apoiar o responsável pelo animal, esse tipo de estrutura contribui para reduzir a sobrecarga emocional das equipes veterinárias, especialmente em situações de alta complexidade clínica. A tendência é que o cuidado com o pós-morte deixe de ser um diferencial e passe a integrar o padrão de atendimento no setor.
Clínicas que adotam uma visão mais ampla da jornada tendem a se destacar em um mercado cada vez mais competitivo e orientado à experiência. Para o setor, o momento aponta para uma necessidade clara: estruturar o pós-morte não é apenas uma questão humanitária, mas também uma estratégia de fidelização e diferenciação.
*Natália Nigro de Sá é Psicóloga, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), membro da Ekôa Vet (Associação Brasileira em Prol da Saúde Mental na Medicina Veterinária) e cofundadora da Laika Assistência e Funeral Pet



