Janeiro Branco amplia debate sobre saúde mental ao incluir bem-estar emocional dos animais

Campanha chama atenção para a relação direta entre equilíbrio psicológico dos pets, rotina familiar e a dimensão do mercado pet no Brasil

 

 

O Brasil abriga mais de 149 milhões de animais de estimação, sendo aproximadamente 67 milhões de cães, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Neste Janeiro Branco, a tradicional campanha de conscientização sobre saúde mental humana ganha um novo olhar: a importância do equilíbrio emocional dos pets como parte essencial da qualidade de vida das famílias brasileiras.

O crescimento do setor pet, impulsionado pela busca por serviços voltados ao bem-estar integral dos animais, reforça a relevância deste debate. Richardson Zago, especialista em comportamento canino e fundador da Zago Adestramento, alerta que ignorar as necessidades mentais dos cães pode desencadear problemas comportamentais que afetam diretamente a convivência em casa.

Amor não basta: pets têm necessidades próprias

“Ainda existe a ideia de que o cachorro precisa apenas de amor, carinho, comida e cuidados veterinários. Mas o equilíbrio mental não funciona assim. O cão é uma espécie diferente da nossa, com necessidades próprias, e quando isso não é respeitado surgem problemas como ansiedade, agitação excessiva e comportamentos destrutivos”, explica Zago.

Sinais como latidos excessivos, inquietação constante e destruição de objetos costumam indicar estresse ou tédio no seu peludo. Segundo o especialista, o problema não está necessariamente na ausência de estímulos, mas em oferecer estímulos inadequados.

“Um cachorro pode até estar sendo mentalmente estimulado, mas de forma errada. Um exemplo comum é o animal que passa horas na frente do portão ou sobre uma garagem observando movimento intenso, crianças brincando, carros passando. Isso gera sobrecarga, mais agito e estresse, não equilíbrio”, destaca.

Estímulos corretos para cada raça

Zago ressalta que o estímulo mental saudável precisa respeitar as características da espécie e das raças. “Um cão corretamente estimulado mentalmente tende a ser mais calmo, confiante e adaptável. O problema é quando a estimulação não respeita a função natural daquele animal”, afirma.

O especialista exemplifica: cães farejadores precisam usar o olfato, labradores e golden retrievers têm relação natural com a água, cães de guarda precisam exercer funções de vigilância, e raças de alta energia, como o border collie, precisam gastar energia de forma estruturada. “Tudo isso faz parte do equilíbrio mental”, completa.

Creches caninas como aliadas do bem-estar

Nesse contexto, as creches caninas surgem como ferramenta preventiva importante. Daniel Navarro, sócio do Patinhas Urbanas, explica que esses espaços integram saúde física e mental de forma organizada.

“A creche oferece rotina, socialização supervisionada e atividades pensadas para o perfil de cada cão. Isso reduz o estresse, melhora o comportamento e contribui para um animal mais equilibrado no dia a dia. Não se trata apenas de gastar energia, mas de oferecer estímulos corretos, com acompanhamento profissional adequado”, afirma Navarro.

 

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Dados da Abinpet indicam que o crescimento do mercado pet está diretamente ligado à procura por serviços como day care, enriquecimento ambiental e acompanhamento comportamental, refletindo uma compreensão mais ampla de que a saúde mental envolve todos os membros da família.

Ao ampliar o alcance do Janeiro Branco para incluir os pets, os especialistas defendem que o debate funcione como um alerta permanente. “Quando o cachorro está emocionalmente equilibrado, toda a casa sente esse reflexo. Cuidar da saúde mental do pet é entender suas necessidades reais, respeitar a espécie, a raça e promover um ambiente mais saudável para todos”, conclui Richardson Zago.

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