Mesmo com água disponível, animais podem apresentar sinais silenciosos de desidratação; veterinária explica como identificar o problema e quando buscar ajuda
O calor intenso registrado nas últimas semanas tem exigido atenção redobrada dos tutores de cães. Em muitos casos, a desidratação surge de forma silenciosa, mesmo quando o animal tem acesso frequente à água. Foi o que viveu a comerciante Marina Caldas, moradora de Campinas, ao perceber mudanças no comportamento de Pitty, seu cão de raça não definida, de oito anos.
Segundo Marina, o animal passou a demonstrar cansaço excessivo, ficou mais quieto e aparentava estar amuado. “Eu não entendia o que estava acontecendo. Água fresca nunca faltou, eu trocava várias vezes ao dia, mas ele não estava bem”, relata. A resposta veio após uma consulta veterinária, quando Pitty foi diagnosticado com um quadro de desidratação.
A situação, de acordo com especialistas, é mais comum do que se imagina, especialmente em períodos de calor extremo. A médica-veterinária Juliana Hirai, especialista em fisioterapia pet, alerta que apenas oferecer água não garante, por si só, que o animal esteja devidamente hidratado.
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“Seu cachorro pode estar desidratado agora e você não percebeu”, afirma. Juliana explica que existem sinais claros que podem ser observados em casa e que ajudam a identificar o problema precocemente.
Um dos primeiros pontos de atenção é a gengiva do animal. Quando está saudável, ela é úmida e lisa. Se estiver seca, grudenta ou com aspecto áspero, isso já pode indicar desidratação. Outro teste simples é pressionar a gengiva e observar o tempo que ela leva para voltar à coloração rosada. Se a recuperação demorar mais de dois segundos, o sinal é de alerta.
A veterinária também orienta observar a elasticidade da pele, especialmente na região do pescoço. Ao puxar suavemente a pele, ela deve retornar rapidamente à posição normal. Caso isso não aconteça, pode ser um indicativo clássico de desidratação. Juliana faz uma ressalva importante para cães idosos, como Pitty, em que esse teste pode não ser tão confiável devido à perda natural de elasticidade da pele com a idade.
Outros sinais incluem olhos opacos ou mais fundos e alterações no comportamento. “Cães mais parados, ofegantes, com urina mais escura ou que fazem pouco xixi podem estar sofrendo com falta de água”, explica. De acordo com a especialista, a presença de dois ou mais desses sintomas já é suficiente para procurar orientação veterinária.
O calor intenso potencializa o risco e pode agravar rapidamente o quadro, principalmente em cães idosos, filhotes ou com doenças pré-existentes. Por isso, Juliana reforça que observar o comportamento do animal é tão importante quanto manter o pote de água cheio.
O caso de Pitty terminou bem após o diagnóstico e os cuidados adequados, mas serve de alerta para outros tutores. Em períodos de altas temperaturas, atenção aos sinais e ação rápida podem fazer a diferença e, em muitos casos, salvar vidas.



