Práticas “cat-friendly” reduzem estresse felino durante consultas e incentivam tutores a buscarem cuidados veterinários com mais regularidade
Levar um gato ao veterinário pode ser um desafio tanto para o animal quanto para seu tutor. A falta de ambientes adequados e de profissionais capacitados no manejo felino contribui para que menos de 40% dos responsáveis por gatos busquem consultas periódicas, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD).
O problema tem raízes no desconhecimento sobre o comportamento natural dos felinos. Diferentemente dos cães, os gatos apresentam sinais de comunicação e instintos específicos que, quando mal interpretados, resultam em práticas que aumentam o estresse em vez de reduzi-lo. Para enfrentar essa realidade, programas de capacitação veterinária têm promovido a adoção de técnicas amigáveis aos gatos, focando na redução do estresse e no fortalecimento da medicina preventiva.
Comportamento felino exige abordagem específica
A filosofia por trás do atendimento adaptado parte de um princípio simples: gatos não devem ser tratados como “pequenos cães”. A leitura correta de seus instintos e sinais de comunicação é fundamental para garantir bem-estar durante as consultas.
“As dificuldades encontradas na ida ao consultório veterinário acabam afastando os tutores das visitas regulares e de foco preventivo. Por isso, é essencial adotar práticas voltadas para o conforto do gato como padrão de atendimento”, explica o Prof. Alexandre Daniel, médico-veterinário especialista em medicina felina.
Segundo o especialista, interpretações equivocadas dos sinais felinos – como confundir medo com agressividade – ainda afastam tutores dos cuidados preventivos e dificultam diagnósticos precoces. “Pequenos ajustes de conduta melhoram a experiência do animal, reforçam o vínculo entre o gato e seu responsável e contribuem para a adesão a cuidados preventivos”, afirma.
Práticas que fazem a diferença
Os gatos são animais sensíveis a estímulos externos como sons, cheiros, mudanças e manipulações. O estresse causado em ambientes clínicos pode interferir na identificação de sintomas e na realização de exames. Além disso, por sua natureza, os felinos frequentemente mascaram sintomas de dor ou desconforto, o que pode atrasar diagnósticos e comprometer tratamentos.
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Entre as práticas recomendadas para um atendimento cat-friendly estão a criação de salas de espera exclusivas para gatos, separando-os do contato com outras espécies; a avaliação do estado emocional dos felinos durante consultas e internações; o uso de equipamentos e instalações específicos para o tamanho dos gatos; e uma postura cuidadosa e respeitosa, com fala em tom suave e movimentos lentos.
Mais do que protocolos, essas práticas buscam oferecer ao gato uma sensação de controle sobre a situação, respeitando seus instintos e minimizando o estresse tanto do animal quanto do tutor.
Capacitação e adaptação estrutural
A implementação de um ambiente cat-friendly envolve tanto adaptações físicas nas clínicas quanto capacitação de equipes. Dos recepcionistas aos médicos-veterinários, todos precisam estar preparados para interpretar sinais sutis de desconforto e manejar os animais com mais previsibilidade.
Um exemplo dessa abordagem é o programa Zoetis Cat Care, que apoia clínicas veterinárias na otimização dos cuidados direcionados aos gatos. A iniciativa combina recomendações práticas que envolvem a implementação de protocolos clínicos baseados no comportamento felino, ajustes no espaço físico da clínica e capacitação de equipes para garantir uma abordagem mais respeitosa aos felinos.
O projeto gratuito oferece aulas teóricas e práticas para profissionais da medicina veterinária, materiais informativos para download e possibilidade de certificação, além de assessoria consultiva para entendimento do cenário individual da clínica e avaliação da evolução do negócio após implementação das práticas.
“Queremos que esse tipo de cuidado seja cada vez mais difundido no mercado veterinário, visando o aumento da busca pelo atendimento preventivo, a medicalização correta dos animais e, é claro, mais longevidade e qualidade de vida para os felinos”, afirma Alessandra Novak Bentes, Coordenadora de Serviços Técnicos de Animais de Companhia na Zoetis.



