Planos de saúde para pets crescem no Brasil e ganham espaço como benefício corporativo

Com a terceira maior população pet do mundo, o país vê a procura pelo serviço avançar, mas 92% dos brasileiros ainda não têm cobertura para seus animais

 

Propagandas de planos de saúde para animais de estimação já fazem parte da rotina de quem navega pelas redes sociais, assiste à televisão ou ouve rádio. O movimento acompanha o tamanho do mercado: segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e o Instituto Pet Brasil (IPB), o país reúne cerca de 160,9 milhões de animais de estimação, a terceira maior população pet do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos. Nesse cenário, a saúde dos bichos passa a ocupar um lugar cada vez maior nas preocupações das famílias.

Os planos para pets funcionam de forma parecida com os convênios para humanos: o responsável pelo animal paga uma mensalidade fixa e, em troca, tem acesso a uma rede de clínicas e hospitais veterinários credenciados, com cobertura que pode incluir consultas, vacinas e exames.

Uma demanda ainda reprimida

Apesar da expansão, o serviço ainda alcança uma parcela pequena da população. Pesquisa recente da Quaest, aponta que 92% dos brasileiros não têm plano de saúde para seus pets. O mesmo levantamento mostra que sete em cada dez gostariam de contar com o serviço, mas esbarram em dificuldades financeiras e na falta de informação sobre como ele funciona. Outro dado ajuda a dimensionar o problema: metade dos responsáveis pelos animais ouvidos no estudo já deixou de realizar algum procedimento veterinário por falta de dinheiro.

Para Bianca Benther, CFO e cofundadora da VidaPetTech, empresa do setor de planos de saúde pet, conciliar a rotina da casa com o orçamento é hoje uma das maiores dores das famílias brasileiras, e os animais já entram nessa conta. “Cerca de 95% dos tutores consideram a saúde dos pets tão importante quanto a de um familiar, elegendo o envelhecimento como a principal preocupação. Os pets já fazem parte da prioridade orçamentária das famílias, onde 65% dos tutores estão dispostos a investir o que for preciso para garantir o bem-estar dos animais e 52% dos tutores já priorizam o orçamento do pet em detrimento de suas próprias necessidades”, afirma.

Segundo ela, a previsibilidade é o principal atrativo do serviço. “O fato de o plano de saúde cobrir despesas como vacinas, atendimentos e exames faz com que o orçamento, que muitas vezes é mais apertado nas famílias brasileiras, não sofra um baque de última hora com uma eventual lesão ou doença do pet”, explica.

Leia mais:

Do orçamento familiar ao RH

Se antes o plano pet era uma decisão restrita ao ambiente doméstico, agora ele começa a aparecer também na lista de benefícios oferecidos pelas empresas. De acordo com Bianca, há um interesse crescente do mundo corporativo em incluir a cobertura veterinária no pacote destinado aos colaboradores.

“O plano de saúde pet deixou de ser apenas uma despesa familiar e virou uma ferramenta de Recursos Humanos corporativos. Grandes marcas já oferecem o ‘Plano Pet’ como um benefício de trabalho tradicional, assim como o plano de saúde humano ou odontológico. Tal benefício já foi comprovado que traz redução do estresse e das faltas no trabalho”, diz a executiva.

A própria VidaPetTech, segundo Bianca, tem recebido procura de empresas interessadas em contratar pacotes de planos para oferecer às equipes. Para atender a essa demanda, a companhia estruturou uma linha corporativa com diferentes níveis de cobertura, do básico ao completo.

Retenção de talentos e novas gerações

Na avaliação da executiva, o benefício tem efeito direto sobre a rotina de trabalho. Segundo ela, colaboradores que contam com o plano relatam mais tranquilidade para se concentrar nas atividades, já que sabem que eventuais emergências veterinárias estão cobertas, o que tende a reduzir faltas repentinas e pedidos de afastamento não planejados para cuidar do animal.

Bianca também aponta o plano pet como um diferencial na atração e retenção de profissionais. O argumento ganha força entre Millennials e Geração Z, grupos que frequentemente adiam a decisão de ter filhos e colocam os animais de estimação no centro da vida familiar. Para esse público, avalia ela, o benefício pode pesar na escolha de um emprego tanto quanto outros benefícios e incentivos tradicionais.

O movimento reforça uma tendência já percebida em outros segmentos do mercado: o animal de estimação deixou de ser coadjuvante e passou a influenciar decisões de consumo, de carreira e de gestão de pessoas.

 

Relacionadas

- Publicidade -spot_img

Últimas notícias