Com mais de 160 milhões de animais de estimação no país, o pet passa a influenciar decisões de viagem, e empresas de turismo e seguros criam produtos para quem não abre mão da companhia
Planejar as férias deixou de ser uma decisão que envolve apenas as pessoas da casa. Para um número crescente de famílias brasileiras, o cão ou o gato entra na conta desde a escolha do destino até a reserva da hospedagem. E, quando não há como levá-lo, muitas preferem simplesmente ficar. Segundo levantamento da plataforma Quero Passagem, 56% das famílias brasileiras deixam de viajar quando não conseguem levar seus animais de estimação.
Entre os motivos apontados estão o receio de causar estresse ao animal e a insegurança em deixá-lo aos cuidados de terceiros. O dado ajuda a dimensionar uma mudança de comportamento que o setor já percebe há alguns anos: o pet deixou de ocupar apenas o quintal e passou a ser tratado como membro da família, com peso real nas decisões de consumo.
Um mercado que não para de crescer
Os números acompanham essa transformação. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e o Instituto Pet Brasil (IPB), o país reúne cerca de 160,9 milhões de animais de estimação, uma das maiores populações pet do mundo. A projeção das entidades é que o mercado pet brasileiro movimente R$ 77,2 bilhões em 2025.
Leia Mais:
- Lar é onde eles estão: a família multiespécie em prática
- Bem-estar animal ganha peso nas decisões dos tutores e cria oportunidades para a medicina veterinária
- Novo comportamento dos tutores redefine clínicas
Boa parte desse faturamento ainda vem da alimentação e dos cuidados veterinários, mas a expansão abre espaço para segmentos que até pouco tempo pareciam distantes do universo pet, como turismo, hospedagem e seguros. Hotéis que aceitam animais, roteiros pet friendly e serviços de transporte especializado ganham relevância à medida que mais responsáveis pelos animais se recusam a deixá-los para trás.
Do turismo ao seguro
O setor de seguros é um dos que começam a responder a essa demanda. É o caso da Redion, que anunciou a Assistência PET, benefício que deve chegar em breve aos planos de seguro viagem EA 100, EA 150 e EA 300 Plus, sem custo adicional na contratação. A cobertura inclui teleorientação veterinária 24 horas, transporte veterinário em situações elegíveis e hospedagem pet, com períodos e limites que variam conforme o plano. O atendimento pode ser acionado 24 horas por dia, sete dias por semana.
No plano de entrada, a hospedagem pet é garantida por até quatro diárias. Nas modalidades com cobertura ampliada, a hospedagem chega a sete diárias, a teleorientação veterinária passa a ser ilimitada e há serviço de táxi pet para o deslocamento até o atendimento veterinário, sempre dentro das condições previstas na apólice.
Para Fábio Pessoa, diretor de Travel e Canais Digitais da Redion, o produto acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. “Hoje, os pets são parte da família e entendemos que proteção ao viajante também passa por oferecer mais tranquilidade em relação a quem permanece em casa”, afirma.
Quem fica também precisa de cuidado
Um dos diferenciais desse tipo de serviço é que a proteção não se limita ao animal que viaja. A assistência vale tanto para o pet que acompanha a família em viagens internacionais quanto para aquele que permanece no Brasil, sob os cuidados de outra pessoa, durante a ausência do responsável. Em caso de imprevisto, quem está com o animal pode acionar o atendimento.
A proposta amplia o conceito tradicional de seguro viagem, historicamente concentrado na saúde e na bagagem do viajante. “Os pets ocupam um espaço cada vez mais importante na rotina e nas decisões das famílias. Por isso, buscamos desenvolver um benefício capaz de transformar uma preocupação comum em mais tranquilidade para o cliente”, completa Pessoa.
Produtos pensados para a família inteira
Iniciativas como essa indicam que a família multiespécie deixou de ser nicho para se tornar referência no desenho de produtos e serviços. Para empresas de turismo, hospitalidade e seguros, incluir o animal de estimação na jornada do cliente tende a se consolidar como estratégia de mercado, e não apenas como um benefício adicional. Para os responsáveis pelos animais, isso significa mais opções para viajar sem abrir mão da companhia, ou sem a preocupação de deixá-la sozinha em casa.


