Coceira, queda de pelos e otites: os sinais de alergia que podem aparecer na primavera

** Por Flávia Jávare

 

 

Flávia JávareA primavera é caracterizada por temperaturas mais elevadas, mudanças na umidade e maior atividade da vegetação. Esse cenário provoca alterações que podem afetar a saúde de cães e gatos, especialmente daqueles que apresentam predisposição a doenças alérgicas.

Isso o ocorre porque, durante a estação, aumenta-se a exposição a agentes ambientais como pólens liberados durante a polinização das plantas, ácaros presentes na poeira doméstica e fungos ambientais (fungo geofílico). O clima mais quente e úmido também favorece a atividade e a proliferação de pulgas, o que pode elevar a ocorrência da dermatite alérgica à saliva da pulga (Dasp).

Entre as doenças que podem se intensificar nesse período está a dermatite atópica, uma condição crônica e inflamatória que provoca coceira e sofre influência de fatores ambientais e sazonais. Entre os agentes relacionados às alergias estão ácaros da poeira doméstica, como dermatophagoides farinae e blomia tropicalis; pólens de gramíneas, como paspalum notatum e cynodon dactylon; e fungos ambientais, como aspergillus fumigatus e alternaria alternata.

A primavera também pode criar condições favoráveis para outros problemas dermatológicos, como piodermites secundárias, picadas de pulgas e carrapatos, dermatites de dobras, especialmente em cães braquicefálicos, e dermatofitoses.

A coceira é um dos sinais mais conhecidos das doenças alérgicas, mas não significa necessariamente que o animal esteja enfrentando uma alergia. O sintoma também pode estar relacionado a outras doenças dermatológicas, como a escabiose.

Por isso, além da frequência e da intensidade da coceira, é importante observar outros sinais, como vermelhidão, lesões na pele, queda de pelos, descamação, mau odor e infecções de ouvido ou otites recorrentes. A duração e a evolução dos sintomas também ajudam o médico-veterinário a identificar a origem do problema.

 

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A avaliação profissional pode incluir exames dermatológicos, como raspados cutâneos e citologias, além de culturas, testes alérgicos e outros procedimentos de investigação. Quando existe suspeita de alergia alimentar, por exemplo, pode ser indicada uma dieta de eliminação. Já os testes alérgicos podem auxiliar na identificação dos agentes envolvidos e na avaliação da necessidade de imunoterapia.

A identificação correta da causa é importante porque doenças alérgicas sem controle podem resultar em inflamação e coceira crônicas, infecções secundárias, otites recorrentes e alterações persistentes na pele e nos ouvidos. Por isso, sinais como coceira persistente, vermelhidão, queda de pelos, descamação, lesões, mau odor ou infecções recorrentes devem ser avaliados por um veterinário.

Predisposição varia entre os animais

Algumas raças de cães apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de doenças alérgicas. Entre elas estão shih tzu, buldogue francês, yorkshire terrier e golden retriever. Nos gatos, a predisposição racial é menos estabelecida, mas já foi observada em animais das raças siamês e persa, além de gatos sem raça definida. Entretanto, não significa que todos os animais dessas raças desenvolverão alergias. Da mesma forma, cães e gatos de outras raças também podem apresentar doenças dermatológicas e reações alérgicas.

Embora não seja possível eliminar completamente os agentes alergênicos do ambiente, algumas medidas podem ajudar a reduzir a exposição. Manter a casa limpa e ventilada, aspirar regularmente os locais frequentados pelos pets e higienizar camas, mantas, estofados e outros objetos com os quais os animais tenham contato são alguns dos cuidados recomendados.

O controle de pulgas e carrapatos também é importante, principalmente durante períodos de maior atividade desses parasitas.

Nos animais que já apresentam alergias, o controle ambiental deve fazer parte do tratamento. A abordagem é individualizada e pode incluir controle de alérgenos e ectoparasitas, banhos terapêuticos e medicamentos, além do tratamento de eventuais infecções secundárias. Em alguns casos, pode haver indicação de imunoterapia específica, estratégia que busca reduzir a sensibilidade aos alérgenos e contribuir para o controle da doença a longo prazo.

Com a chegada da primavera, portanto, a atenção aos sinais apresentados pelos pets ganha importância. Observar mudanças na pele, na pelagem e no comportamento do animal e procurar atendimento veterinário diante de sintomas persistentes são medidas que podem contribuir para identificar precocemente problemas dermatológicos e evitar que um quadro inicialmente simples se torne crônico.

 

** Flávia Jávare é médica-veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), com pós-graduação em Dermatologia em Animais e Cia. e aperfeiçoamento em Citopatologia Dermatológica e Alergologia Veterinária.

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