Especialista detalha causas, sintomas e tratamento da doença em cães, que costuma ser diferente do quadro mais comum em gatos
*Por Laura Lanny, especial para o Portal PetON
O diabetes em cachorro não é igual ao que ocorre na maioria dos gatos. Embora as duas espécies possam desenvolver a doença, o tipo mais comum em cada uma delas é diferente, o que influencia diretamente o tratamento e as chances de controle.
A explicação é da médica-veterinária endocrinologista Sofia Borin Crivellenti, professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e membro da diretoria da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV). Segundo ela, os cães apresentam, na maioria dos casos, diabetes mellitus tipo 1, enquanto os gatos costumam desenvolver diabetes tipo 2.
Cães têm, majoritariamente, diabetes tipo 1
No diabetes tipo 1, predominante nos cães, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina, hormônio responsável por permitir a entrada da glicose nas células. A causa mais aceita é uma doença imunomediada, na qual o próprio organismo destrói as células produtoras do hormônio, explica a especialista. Como consequência, o animal passa a depender da aplicação de insulina pelo restante da vida.
Já os gatos apresentam, com maior frequência, diabetes tipo 2, quadro em que ainda existe produção de insulina, mas o organismo tem dificuldade para utilizá-la por causa da resistência à ação do hormônio. Há ainda o diabetes tipo 3, menos frequente, que pode surgir em cães e gatos como consequência de outras doenças endócrinas, como o hipercortisolismo, também conhecido como síndrome de Cushing, nos cães, e a acromegalia, nos gatos.
Sinais que merecem atenção
Os sintomas costumam aparecer de forma semelhante nas duas espécies: aumento da ingestão de água, aumento da produção de urina, aumento do apetite e perda de peso. Nos cães, também pode ocorrer perda de musculatura, principalmente na região das costas, além do desenvolvimento de catarata. Já os gatos podem apresentar alteração característica na forma de caminhar, apoiando toda a pata no chão em vez de apenas as pontas, condição conhecida como andar plantígrado.
Diagnóstico e diferenças no tratamento
O diagnóstico segue os mesmos critérios para cães e gatos: o médico-veterinário considera os sinais clínicos e confirma a doença por meio da hiperglicemia, aumento da glicose no sangue, e da glicosúria, presença de glicose na urina. Embora o diagnóstico seja semelhante, o tratamento apresenta diferenças importantes. Os cães precisam receber insulina durante toda a vida, enquanto alguns gatos podem entrar em remissão quando o controle da glicemia ocorre rapidamente e os fatores que provocam resistência à insulina são identificados e tratados.
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A remissão, no entanto, não significa cura, ressalta a veterinária. Ela indica apenas que, durante determinado período, o animal pode deixar de precisar da aplicação de insulina.
Alimentação, monitoramento e atividade física
A dieta é parte do tratamento do diabetes em cães e gatos: alimentos formulados para animais diabéticos ajudam na estabilidade da glicemia, no controle do apetite e na manutenção do peso corporal. O monitoramento da glicose pode ser feito com glicosímetros ou por sistemas flash, sensores que medem continuamente a glicose sem necessidade de perfurações frequentes; a frequência das medições depende do tipo de insulina utilizada e deve ser definida pelo médico-veterinário, já que uma medida isolada não representa, sozinha, o controle da doença.
A prática regular de exercícios também compõe o tratamento. Caminhadas leves ajudam os cães a controlarem a glicemia e a manter o peso; nos gatos, brincadeiras e atividades que estimulem o movimento cumprem função semelhante.
É possível prevenir o diabetes nos pets?
A prevenção depende do tipo de diabetes. O tipo 1 dos cães não pode ser evitado, mas reduzir a obesidade e o sedentarismo nos gatos ajuda a diminuir o risco de diabetes tipo 2. Identificar e tratar doenças endócrinas, por sua vez, pode reduzir o risco de diabetes tipo 3 em ambas as espécies.
Cetoacidose diabética: a complicação mais grave
A falta de insulina faz o organismo utilizar gordura como fonte de energia, levando ao acúmulo de corpos cetônicos; o animal pode apresentar perda do apetite, desidratação, vômitos, diarreia, sonolência, dificuldade para respirar, coma e até hálito com cheiro de acetona. Seguir corretamente o tratamento, manter as consultas de acompanhamento, controlar pulgas e carrapatos, manter vacinação e vermifugação em dia e considerar a castração são medidas que ajudam a reduzir esse risco.
Para Sofia Borin Crivellenti, o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações e, nos gatos, aumenta a chance de remissão da doença.


