Fogos de artifício na Copa do Mundo: como proteger cães e gatos do estresse?

Com comemorações dos jogos trazendo barulho intenso às ruas, responsáveis por pets precisam adotar cuidados simples para evitar crises de ansiedade nos animais

 

A Copa do Mundo chegou, e com ela uma combinação já conhecida dos animais de companhia: fogos de artifício espalhados pela cidade a cada gol. Apesar da proibição do uso de artefatos sonoros em muitos municípios, a realidade nas ruas é outra. E quem paga o preço são os pets, especialmente os mais idosos e aqueles com maior sensibilidade ao ruído. Idosos com doenças cardiovasculares e pessoas com transtorno do espectro autista também figuram entre os mais afetados pelos sons abruptos e repetitivos das comemorações.

Por que os fogos afetam tanto os animais?

A audição dos cães e gatos é significativamente mais aguçada do que a dos humanos. Eles captam frequências mais altas e percebem os sons com muito mais intensidade, o que transforma um simples foguete em uma experiência de sobressalto profundo. Segundo especialistas em comportamento animal, a exposição a barulhos altos e imprevisíveis ativa o instinto de fuga dos animais, podendo provocar tremores, salivação excessiva, agitação, tentativas de escalar muros ou portões, e em casos mais graves, síncopes. O risco de fuga é especialmente preocupante: muitos animais se perdem justamente durante períodos de comemorações com fogos.

O que fazer antes e durante as comemorações

A preparação começa antes de o primeiro foguete estourar. Especialistas recomendam antecipar o passeio ou a sessão de brincadeiras do pet para que ele chegue ao período mais intenso de barulho já com a energia gasta e mais propenso ao descanso. Dentro de casa, o ideal é deixar o animal em um cômodo interno, com portas e janelas fechadas para reduzir a propagação do som.

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Criar uma espécie de refúgio também ajuda: a cama habitual do animal, cobertores com o cheiro familiar e um espaço onde ele possa se sentir protegido funcionam como âncora de segurança. Se o pet buscar esconderijos por conta própria, como embaixo da cama ou dentro de armários, a orientação é respeitar esse comportamento. Forçar a saída do esconderijo pode intensificar o estado de estresse.

Músicas calmas ou playlists desenvolvidas especialmente para cães e gatos, disponíveis em plataformas de streaming, também ajudam a criar um ambiente sonoro mais confortável e a mascarar os ruídos externos. Manter a televisão ligada em volume moderado é uma alternativa prática. A postura do responsável pelo animal também importa: transmitir calma, agir com naturalidade e evitar reforçar a agitação do pet são atitudes que fazem diferença real no comportamento do animal.

Identificação: um cuidado que pode evitar tragédias

Uma medida simples e frequentemente esquecida é garantir que o animal esteja com coleira e identificação atualizadas antes dos períodos de comemorações. Em estado de pânico, mesmo animais dóceis e bem treinados podem tentar escapar. Uma plaquinha com nome e telefone do responsável ou um microchip atualizado aumentam significativamente as chances de reencontro em caso de fuga.

Quando procurar o veterinário

Nem todo animal responde bem apenas às medidas de conforto ambiental. Para pets com histórico de ansiedade intensa ou que apresentem sinais como taquicardia, tremores incontroláveis ou comportamento agressivo durante os fogos, a avaliação veterinária é essencial. Médicos-veterinários podem indicar o uso de florais, feromônios sintéticos, como o Adaptil para cães e o Feliway para gatos, ou ansiolíticos adequados para cada espécie e porte.

Um alerta importante: jamais oferecer ao animal medicamentos de uso humano. Calmantes e ansiolíticos formulados para pessoas podem ser tóxicos ou letais para cães e gatos. Qualquer medicação deve ser prescrita exclusivamente por um profissional veterinário, preferencialmente após uma consulta prévia ao período de comemorações, já que o efeito de alguns produtos precisa ser testado com antecedência.

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