Diretrizes internacionais e especialistas alertam para o papel da hidratação na prevenção e no manejo da doença renal crônica em cães e gatos
Os rins de cães e gatos dependem diretamente de um fluxo adequado de água para filtrar substâncias do organismo e manter o equilíbrio fisiológico. Quando a ingestão hídrica é insuficiente, a urina fica mais concentrada e a sobrecarga sobre os rins aumenta. Esse alerta está nas diretrizes da International Renal Interest Society (IRIS), referência mundial em nefrologia veterinária, que inclui a manutenção da hidratação entre as medidas prioritárias no manejo da doença renal crônica em cães e gatos.
Mais do que garantir uma tigela sempre cheia, a hidratação adequada envolve também o que o animal come. É o que explica Iana Furtado, médica veterinária parceira de A Quinta Pet, foodtech especializada em alimentação natural para cães. Segundo ela, dietas úmidas, especialmente alimentos naturais com maior teor de umidade, favorecem uma ingestão hídrica mais expressiva ao longo do dia, por meio da própria refeição.
“Esse aporte amplia o consumo total de líquidos ao longo do dia, ajudando a manter a urina mais diluída e reduzindo a sobrecarga sobre os rins. Quando o pet consome apenas alimentos secos, ele precisa compensar essa falta de umidade bebendo mais água. Alimentos com maior teor hídrico ajudam a complementar essa necessidade de forma natural”, destaca Iana.
O que oferecer para aumentar a hidratação
A veterinária recomenda incluir proteínas, frutas e legumes como complemento hidratante na rotina alimentar do animal. Proteínas oferecidas geladas ou levemente congeladas tornam-se uma alternativa relevante para a hidratação. Preparações com abobrinha, chuchu e proteínas leves também podem fazer parte da rotina: esses ingredientes têm boa quantidade de água e são de digestão fácil, o que contribui para o equilíbrio do organismo, segundo Iana.
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Muitas frutas também hidratam naturalmente. É o caso da melancia, do melão, do morango, da pera e da maçã, que possuem alto teor de água e ajudam a manter os cães hidratados. No entanto, Iana faz um alerta importante: é fundamental retirar todas as sementes e caroços e evitar as frutas potencialmente tóxicas para cães, como uva, carambola, açaí e abacate — inclusive a casca e o caroço desta última.
Opções práticas para estimular a ingestão hídrica
Para tornar a hidratação mais atrativa no dia a dia, a veterinária sugere algumas preparações simples e seguras:
Qualquer mudança na alimentação, no entanto, deve ser orientada por um médico veterinário. Caso a introdução de alimentos naturais ocorra junto à ração comercial, o recomendado é fazê-la de forma gradual, começando com cerca de 10% a 20% da refeição e aumentando essa proporção ao longo de 7 a 14 dias — sempre com acompanhamento profissional.



