Você sabe quais vacinas seu gato deve tomar?

Entenda o calendário vacinal felino e por que manter as doses em dia protege o pet e você

 

Doenças silenciosas, altamente contagiosas e, em alguns casos, fatais ainda fazem parte da realidade de muitos gatos, especialmente quando a vacinação não está em dia. A boa notícia é que grande parte dessas ameaças pode ser evitada com um protocolo simples de imunização. O problema é que muitos responsáveis pelo animal desconhecem quais vacinas são obrigatórias e, principalmente, que as doses aplicadas na fase filhote não protegem o animal para sempre.

O mito da imunidade vitalícia

É comum a crença de que, uma vez vacinado quando filhote, o gato está protegido para o resto da vida. Mas isso não é verdade. Segundo a médica veterinária Dra. Nathali Vieira, da Pet de TODOS, os anticorpos costumam ser perdidos entre dois e três anos de idade, o que exige que o animal tome novamente as vacinas necessárias conforme a fase da vida.

“Apesar do calendário vacinal costumar ser seguido em filhotes, há ainda uma crença muito popular de que essas doses continuam a valer durante toda a vida dos pets, o que não é verdade”, esclarece a médica-veterinária Nathali Vieira.

Quais vacinas são obrigatórias?

O protocolo vacinal dos felinos inclui imunizantes que protegem contra algumas das doenças mais perigosas da espécie. As vacinas consideradas obrigatórias são:

● V3 (tríplice): protege contra panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte — três doenças respiratórias e imunológicas altamente contagiosas.
● V4 (quádrupla): inclui toda a proteção da V3 acrescida da clamidiose.
● V5 (quíntupla): a mais completa disponível, abrange a V4 mais a Leucemia Felina (FeLV). Atenção: essa vacina só pode ser aplicada após resultado negativo no teste de FeLV — não é recomendada para animais positivos.
● Antirrábica: obrigatória por lei e essencial para a saúde pública. A raiva é fatal para os gatos e transmissível aos seres humanos. Dados da Vigilância Sanitária registraram 50 ocorrências no país entre 2010 e 2025.

Vacina         O que protege                                               Frequência
V3                Panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte        Reforço anual
V4                V3 + clamidiose                                             Reforço anual
V5                V4 + Leucemia Felina (FeLV)*                         Reforço anual
Antirrábica    Raiva (fatal e transmissível a humanos)           Conforme legislação local

* Exige teste negativo de FeLV antes da aplicação.

O calendário recomendado pela WSAVA

O calendário vacinal para cães e gatos é anualmente atualizado pela WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais), que emite orientações seguidas por veterinários em todo o mundo. Segundo o protocolo mais recente, filhotes felinos devem receber duas doses com intervalo de 21 dias entre cada uma. Depois, tanto a V4 quanto a V5 podem ser aplicadas anualmente.

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Vale lembrar que, dependendo da região, esses prazos podem ser ajustados. Áreas com maior incidência de doenças ou problemas sanitários podem demandar protocolos mais frequentes. Consulte sempre o veterinário de confiança para adequar o calendário à realidade do seu animal.

Vacinar é também proteger quem você ama

Manter as vacinas em dia vai além de proteger o gato individualmente. A imunização em dia contribui para reduzir a circulação de vírus no ambiente, criando uma espécie de barreira coletiva. No caso da raiva, embora rara, a doença é praticamente 100% letal após o aparecimento dos sintomas, o que reforça a essencialidade da vacinação como medida de saúde pública.

Seguir corretamente o calendário vacinal, desde as primeiras doses ainda filhote até os reforços anuais, garante que o sistema imunológico do gato esteja sempre preparado. Atrasos ou falhas nesse processo podem deixar brechas na proteção do animal, aumentando sua vulnerabilidade a infecções e doenças graves.

Fontes

Dra. Nathali Vieira| médica veterinária na Pet de TODOS
Protocolo vacinal: WSAVA (World Small Animal Veterinary Association)
Dados epidemiológicos: Vigilância Sanitária (2010–2025)

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