No Dia Mundial da Obesidade, estudo recente da Royal Canin em oito países mostra que 40% dos cães e gatos adultos estão acima do peso; amor demais no prato pode fazer muito mal ao seu peludo
Hoje, 4 de março, é o Dia Mundial da Obesidade. E se você achava que esse era um problema exclusivamente humano, os dados dizem o contrário. Um estudo recente encomendado pela Royal Canin em oito países, incluindo o Brasil, revela que 4 em cada 10 cães e gatos adultos estão com quilos a mais. Para um setor que movimenta mais de R$ 75 bilhões por ano e tem nos pets verdadeiros membros da família, esse número é um sinal de alerta que não pode ser ignorado.
A pesquisa ouviu 14.016 tutores e 1.750 veterinários e especialistas em nutrição. Os resultados mostram um padrão preocupante: enquanto os profissionais de saúde animal reconhecem o problema com clareza, muitos tutores ainda minimizam os riscos e, muitas vezes por excesso de carinho.
O que dizem os veterinários brasileiros
No Brasil, o cenário é ainda mais crítico do que a média global. Praticamente 58% dos médicos-veterinários entrevistados afirmam que os tutores subestimam os efeitos do excesso de peso sobre a saúde e o bem-estar dos animais, dificultando a adesão às recomendações feitas no consultório.
O dado mais impactante: 94,8% dos veterinários brasileiros relataram aumento significativo nos casos de obesidade em pets nos últimos anos. Desses, 58% observaram que o crescimento se acelerou após a pandemia da Covid-19, período em que convivência intensa entre tutores e animais virou rotina.
Amor no prato vem com riscos
Os dados brasileiros revelam um hábito muito presente entre os tutores: 48,6% já ofereceram comida humana aos seus pets além da ração habitual. Os alimentos mais comuns são os cozidos (50,6%), vegetais (41%) e, surpreendentemente, carne crua (35,6%), que apresenta riscos de contaminação microbiológica quando não manipulada corretamente.
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Mas o dado que mais chama atenção é outro: 60% dos tutores brasileiros recorrem a petiscos e alimentos quando acham que o animal está triste, entediado ou solitário. Um gesto de carinho que, quando vira hábito, pode desequilibrar a dieta e contribuir diretamente para o ganho de peso.
“Oferecer alimentos como forma de agrado e demonstração de carinho faz parte da construção do vínculo entre tutores e pets e negar essa prática é, na verdade, pouco realista. No entanto, para que isso não traga prejuízos à saúde, é fundamental que a escolha dos alimentos e o cálculo das quantidades sejam feitos com orientação profissional.”
— Priscila Rizelo, gerente de comunicação e assuntos científicos da Royal Canin Brasil
O problema da desinformação
Um dos principais obstáculos para manter os animais com peso saudável é a desinformação. Globalmente, 17% dos tutores apontam esse fator como um dos maiores desafios. Esse percentual sobe para 55% entre tutores da Geração Z, que buscam informações principalmente nas redes sociais. No estudo, 19% dos entrevistados admitem recorrer às plataformas digitais para orientações sobre nutrição e obesidade em cães e gatos.
Entre os profissionais de saúde animal, 29% acreditam que a proliferação de conteúdos conflitantes no universo pet dificulta as conversas com os tutores sobre o tema — e 26% dos tutores, em escala global, sequer sabem qual é o peso ideal do seu animal.
Obesidade em pets: o que o estudo revela
• 40% dos cães e gatos adultos estão acima do peso (média global)
• 94,8% dos veterinários brasileiros relataram aumento de casos de obesidade
• 58% dos profissionais observaram crescimento após a pandemia
• 57,6% dos vets brasileiros dizem que tutores subestimam os riscos
• 60% dos tutores usam alimentos quando acham o pet triste ou entediado
• 48,6% já ofereceram comida humana ao pet além da ração
• 26% dos tutores (globalmente) não sabem o peso ideal do seu animal
• 75,75% buscam orientação com veterinários e especialistas em nutrição
Quais doenças o excesso de peso pode causar no seu pet?
Os tutores brasileiros já reconhecem alguns dos principais riscos: 56,9% associam a obesidade a doenças cardíacas e pressão alta; 47,8% relacionam ao diabetes tipo 2; 42,3% apontam problemas respiratórios. Mas a lista vai além:
- Consequências da obesidade em cães e gatos
- Doenças cardíacas e hipertensão
- Diabetes mellitus tipo 2
- Problemas respiratórios
- Alterações articulares e ortopédicas
- Pancreatite
- Doenças hepáticas (fígado)
- Redução da qualidade de vida e da longevidade
O que você pode fazer pelo seu pet hoje
A boa notícia é que 75,7% dos tutores brasileiros buscam orientação sobre peso e nutrição diretamente com veterinários e especialistas. Esse é o caminho certo. No consultório, profissional e tutor podem construir juntos um plano alimentar adequado ao porte, raça, idade e estilo de vida do animal, e sem renunciar ao afeto, mantendo o equilíbrio.
Se você quer demonstrar carinho ao seu peludo, o melhor presente que pode dar a ele não é um petisco extra. É uma vida longa, ativa e saudável ao seu lado.



