A médica-veterinária nutróloga Celina Okamoto, explica como rotina alimentar, qualidade nutricional e atividade física são fundamentais para manter os cães saudáveis e no peso ideal
O excesso de peso em cães vai muito além da estética. Ele impacta diretamente a saúde, a mobilidade, a imunidade e a qualidade de vida dos animais. Segundo a médica-veterinária nutróloga Celina Okamoto, consultora técnica da Botupharma, o controle de peso exige uma abordagem ampla e individualizada.
Não basta apenas reduzir a quantidade de alimento. É necessário considerar rotina alimentar estruturada, qualidade nutricional, prática de atividade física adequada e as características metabólicas de cada cão. Quando bem conduzido, o acompanhamento do peso corporal contribui para maior longevidade, bem-estar e vitalidade.
Rotina alimentar: horários e frequência das refeições
A recomendação mais comum é dividir a alimentação em duas refeições diárias, em horários regulares:
- Manhã: entre 7h e 9h
- Final da tarde/noite: entre 17h e 19h
- A regularidade ajuda a estabilizar o metabolismo, reduzir picos de fome e melhorar o controle calórico.
Em alguns casos, cães adultos saudáveis podem ser alimentados uma vez ao dia, desde que não apresentem histórico de hipoglicemia, distúrbios gastrointestinais ou ansiedade alimentar. O cão é metabolicamente adaptado a períodos maiores de jejum. Quando a dieta é rica em proteína e gordura e pobre em carboidratos simples, o pico glicêmico tende a ser mais estável e o padrão de liberação de insulina não acompanha o observado em onívoros.
Entre os possíveis benefícios de uma refeição diária bem formulada estão:
- Redução de estímulos repetidos de insulina
- Maior mobilização de gordura corporal
- Melhora da sensibilidade metabólica
- Facilidade no controle calórico em cães com tendência à obesidade
Ainda assim, não existe um modelo único. Alguns cães respondem melhor ao fracionamento das refeições, enquanto outros evoluem bem com alimentação única. A individualidade metabólica deve ser respeitada. O médico-veterinário deve analisar o pet dar a melhor orientação.
Leia mais:
- Galleria Shopping promove Pet Day com Encontro de Salsichas em Campinas
- Caso Orelha mobiliza MP: Felca solicita canal 24h e anônimo para denúncias
- Shopping Frei Caneca recebe evento de adoção de pets neste sábado
Alimentação natural pode ajudar?
Sim, desde que seja formulada por médico-veterinário nutricionista.
É importante diferenciar alimentação natural de comida caseira. Dietas caseiras sem formulação adequada podem gerar desequilíbrios nutricionais e excesso calórico.
Uma dieta natural corretamente formulada deve considerar:
- Proteína de alta qualidade
- Quantidade controlada de carboidratos
- Inclusão estratégica de fibras
- Cálculo calórico individual
A proteína tem papel fundamental no processo de emagrecimento, pois preserva a massa magra, aumenta a saciedade, melhora o metabolismo basal e ajuda a evitar perda muscular associada à restrição calórica.
A qualidade dos ingredientes também influencia diretamente a digestibilidade, a resposta metabólica e o aproveitamento nutricional. Proteínas de origem conhecida, vegetais frescos e boas fontes de gordura são pontos importantes.
Outro cuidado é evitar aditivos artificiais, como conservantes e corantes, que podem alterar a microbiota intestinal, favorecer inflamação de baixo grau e prejudicar a absorção de nutrientes. Mais do que simplesmente reduzir calorias, o foco deve estar na nutrição de precisão.
Atividade física: constância é fundamental
O exercício físico deve ser introduzido de forma progressiva, com aumento gradual de frequência e intensidade, respeitando idade, porte e condição física do cão.
Entre as estratégias recomendadas estão:
- Caminhadas
- Brincadeiras ativas
- Enriquecimento ambiental
- Natação, quando possível
A constância é mais importante do que a intensidade. Antes de iniciar atividades mais intensas, é essencial acompanhamento veterinário para avaliar a saúde geral do animal, condições ósseo-articulares e capacidade cardiovascular.
Caminhadas e pesagens regulares
As caminhadas ajudam no gasto calórico, preservam a musculatura e contribuem para a saúde emocional do cão.
Já o acompanhamento do peso deve ser feito a cada duas a quatro semanas, sempre na mesma balança. A meta considerada segura de emagrecimento varia entre 0,5% e 2% do peso corporal por semana. Perdas mais rápidas podem aumentar o risco de perda muscular e efeito rebote.
Petiscos: atenção à quantidade
Petiscos não devem ultrapassar 10% do total calórico diário.
Boas práticas incluem:
- Utilizar parte da própria alimentação como recompensa
- Oferecer legumes seguros, como cenoura, chuchu e abobrinha cozidos, sem sal
- Evitar ultraprocessados e restos de comida
A oferta sem controle de petiscos é uma das principais causas de falha em programas de emagrecimento.
Qual a melhor alimentação?
As melhores opções são receitas formuladas com ingredientes naturais e calculadas para cães com sobrepeso ou obesidade, ou dietas balanceadas profissionalmente.
Entre as prioridades da dieta estão:
- Menor densidade calórica
- Maior teor de fibras
- Proteína suficiente para preservar a massa muscular
Quanto ao horário das refeições, o mais importante é manter uma rotina fixa e previsível, respeitando a resposta individual de cada cão.
Em resumo, controle de peso eficaz depende da combinação entre rotina alimentar estruturada, qualidade nutricional, atividade física adequada e acompanhamento contínuo.
Não existe fórmula universal: cada cão exige uma abordagem personalizada. Quando bem conduzido, os resultados aparecem não apenas na balança, mas também na disposição, vitalidade e longevidade do animal.



