Paola Oliveira, André Trigueiro e artistas se unem ao clamor nacional por leis mais severas contra maus-tratos; manifestações estão marcadas para o final de semana em diversas cidades
A comoção e indignação pela morte do cão comunitário Orelha, de 10 anos, segue mobilizando o Brasil. O caso, marcado por requintes de crueldade praticados por adolescentes na Praia Brava (SC), ganhou repercussão nacional com manifestações de artistas, jornalistas e milhares de brasileiros que pedem justiça e leis mais severas contra maus-tratos animais.
Paola Oliveira emociona ao questionar brutalidade
Em vídeo que já ultrapassa 815 mil curtidas, a atriz Paola Oliveira não conseguiu conter a emoção ao falar sobre Orelha. “Era um cãozinho super bem cuidado, inofensivo, conhecido da comunidade. Qual a justificativa para isso?”, questiona a artista, visivelmente abalada.
Paola, que tem mais de 15 animais adotados entre cães e gatos, demonstrou profunda preocupação com o futuro dos agressores: “Se agiram com tamanha frieza e crueldade agora, que adultos vão se transformar? E capazes de quê?”. A atriz também destacou a questão da impunidade: “Agora eles têm medo, mas na hora não pensaram, não tiveram medo de matar um animal inocente e sem defesa. A gente não pode normalizar o inaceitável”.
André Trigueiro cobra aprovação de lei no Congresso
O jornalista André Trigueiro, especializado em meio ambiente, também se manifestou de forma contundente. Em vídeo amplamente compartilhado, ele não apenas clamou por justiça para Orelha e punição exemplar para os criminosos, mas aproveitou a mobilização nacional para cobrar ação do Congresso.
“É preciso exigir a aprovação imediata do projeto que eleva as penas para esse tipo de crime!”, afirmou. Trigueiro destacou que manifestações legítimas estão sendo organizadas para o final de semana em várias cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, e sugeriu que os protestos cobrem do Legislativo a aprovação de uma lei que tramita há mais de 20 anos.
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Atualmente, a pena para maus-tratos contra cães e gatos é de 3 a 5 anos, mas dificilmente o criminoso vai para a cadeia – a justiça normalmente aplica penas alternativas. Para animais silvestres, a penalidade prevista é ainda menor: de 3 meses a 1 ano. “É preciso mudar a lei!”, completou o jornalista.
Artistas criam paródia emocionante de “Coração de Estudante”
Os criadores de conteúdo Edu Krieger e Natalia Voss, famosos por suas paródias musicais sobre assuntos atuais, divulgaram uma versão de “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento, dedicada ao caso. Diferente de suas produções habituais, repletas de humor, esta é triste, mas real.
A letra fala do ato cruel dos estudantes contra o cãozinho de dez anos, da falta de empatia de adolescentes que causam dor e indignação. O vídeo já tem quase 35 mil visualizações e inúmeros comentários cobrando justiça.
Casos que não devem ser esquecidos
A mobilização por Orelha reacende a memória de outros casos que chocaram o país:
Manchinha – A cadela vira-lata Manchinha foi morta a golpes de barra de ferro por um segurança do Carrefour em Osasco (SP) em 28 de novembro de 2018, gerando enorme comoção nacional e internacional. O funcionário, que agiu após ordens para retirar o animal, foi responsabilizado, mas respondeu em liberdade. O caso motivou endurecimento nas leis contra maus-tratos.
Abacate – O cão comunitário da cidade de Toledo (PR) morreu no dia 27 após ser atingido por um tiro. O animal, conhecido dos moradores do bairro Tocantins, chegou a ser socorrido e passou por cirurgia, mas não resistiu.
Segundo a Polícia Civil, o disparo atingiu a região renal do cachorro e houve intenção de matar, o que configura crime e pode levar à prisão. Nenhum responsável foi identificado até agora. A polícia pede ajuda da população para ajudar na identificação de quem realizou o disparo. O caso segue em investigação.
Atualizações das investigações sobre o caso Orelha
A Polícia Civil de Santa Catarina identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de terem agredido Orelha de forma violenta com intenção de causar sua morte. O caso motivou a abertura de dois inquéritos policiais: um sobre a morte do animal e outro pelo crime de coação de testemunha. Na segunda-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos, resultando na apreensão de celulares e notebooks para perícia, embora ninguém tenha sido detido. Três familiares dos adolescentes foram indiciados por coação.
Hoje, dois dos quatro suspeitos retornaram de viagem e tiveram seus celulares apreendidos. Todos os envolvidos serão intimados para prestar depoimento. A defesa de dois adolescentes alega que “não há vídeo ou imagens que comprovem o momento do suposto ato de maus-tratos” e ressalta a necessidade de que se cumpram os ritos formais do processo para que sejam declarados e punidos os culpados.
Um chamado à empatia e à adoção
É fundamental que esses casos façam as pessoas entenderem a situação dos animais de rua: eles não estão nas ruas por escolha, e sim porque nunca tiveram uma casa, uma família, ou porque foram abandonados (o que também é crime).
Essa discussão também deve incentivar a adoção responsável. ONGs e abrigos estão lotados de animais à espera de uma família, de cuidados, de segurança, de amor.
Se você puder, adote. Se não puder, ajude ONGs e protetores – seja voluntário, faça doações. E se encontrar um animal de rua, mesmo que não possa acolher, dê água, comida, faça um carinho.
A sociedade não pode deixar esses casos caírem no esquecimento nem permitir que outros Orelhas, Abacates e Manchinhas sejam maltratados. É preciso lutar por leis mais severas e por seres humanos mais empáticos, mais conscientes e menos cruéis.
Justiça por Orelha! Justiça por Abacate! Justiça por todos os animais que sofrem nas ruas!



