Caso Orelha: Indiciamento de familiares por coação mostra que pressão social está surtindo efeito

Mobilização nas redes sociais mantém pressão por justiça após morte brutal do cão da Praia Brava; caso expõe vulnerabilidade de milhares de animais comunitários que vivem sob cuidado coletivo em todo o Brasil

 

A morte brutal do cão comunitário Orelha, na Praia Brava em Florianópolis, continua mobilizando o Brasil inteiro. E essa comoção coletiva já está gerando resultados: a Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três familiares dos adolescentes investigados por coação de testemunha, mostrando que a pressão da sociedade não deixará esse crime cair no esquecimento.

Orelha era um daqueles cães que pertencem a todos e a ninguém ao mesmo tempo. Alimentado, vacinado e cuidado pela comunidade da Praia Brava, ele tinha o que muitos animais comunitários têm: não uma casa específica, mas o carinho de muitas pessoas. Assim como Caramelo, o vira-lata caramelo que virou símbolo de resistência nas enchentes do Rio Grande do Sul, esses animais representam o melhor da solidariedade humana. Por isso a revolta é tão grande.

A investigação avança

Segundo o delegado-geral Ulisses Gabriel, três homens foram indiciados por coação de testemunha: um advogado e dois empresários, sendo dois deles pais dos adolescentes investigados e o terceiro, tio de um dos jovens. Entre os dias 12 e 13 de janeiro, eles teriam ameaçado o porteiro de um condomínio que fotografou os adolescentes no momento da agressão ao Orelha. Um dos adultos teria inclusive aparecido algo suspeito na cintura, levantando a possibilidade de estar armado.

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Os dois adolescentes principais suspeitos estão atualmente nos Estados Unidos, em uma excursão à Disney com outras 113 pessoas. A polícia já planeja um esquema especial de segurança para a chegada deles ao aeroporto, temendo manifestações que possam colocar em risco os demais jovens do grupo.

Por que a repercussão é fundamental

O advogado criminalista Gil Ortuzal, especialista em casos de grande repercussão, reforça que episódios como esse não podem ser tratados como fatos isolados. “A violência contra animais é um indicador preocupante de comportamento social e deve ser enfrentada com rigor jurídico e políticas de prevenção”, afirma.

E é aqui que entra a importância da mobilização nas redes sociais. Moradores de Florianópolis, protetores de animais de todo o país, famosos e autoridades têm mantido o caso Orelha em evidência, com abaixo-assinados circulando e manifestações sendo organizadas. Essa pressão é o que impede que a brutalidade seja varrida para debaixo do tapete.

Mesmo com os suspeitos sendo menores de idade, a legislação brasileira prevê consequências. A Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/98) classifica maus-tratos como crime, com penas agravadas quando há morte do animal. O Estatuto da Criança e do Adolescente permite aplicação de medidas socioeducativas, além da responsabilização civil e criminal dos responsáveis legais.

Hoje foi o Orelha, amanhã pode ser outro

O que torna esse caso ainda mais revoltante é pensar em quantos outros animais comunitários vivem nas ruas das cidades brasileiras, dependendo da boa vontade e do cuidado coletivo. Eles não têm uma família específica que os defenda judicialmente, mas têm algo poderoso: uma comunidade inteira que os ama.

A morte do Orelha não pode ser em vão. A repercussão massiva serve como recado de que crueldade contra animais não será tolerada, que a impunidade não terá vez. Porque se hoje a vítima foi o Orelha, amanhã pode ser qualquer outro animal que confia nos humanos e merece viver em paz.

A investigação segue em andamento, e toda a sociedade está de olho. Porque justiça para o Orelha é justiça para todos os animais.

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