Com temperaturas até 5 graus acima da média, animais de estimação sofrem em silêncio e dependem dos tutores para se protegerem dos efeitos do calor extremo
As recentes ondas de calor que atingem diversas regiões do Brasil acendem um alerta importante para os tutores de pets: assim como os humanos, cães e gatos sofrem intensamente com as temperaturas elevadas. E o cenário preocupa ainda mais porque ainda estamos no início do verão, o que significa que os cuidados precisam ser redobrados e mantidos por toda a estação. A diferença é que, enquanto podemos expressar nosso desconforto e buscar alívio, os animais dependem exclusivamente da atenção e cuidado de seus tutores para enfrentar o calor – afinal, não conseguem verbalizar quando estão passando mal.
Quando o termômetro sobe além da média normal, os riscos para os pets aumentam significativamente. Sede excessiva, respiração ofegante acima do normal e língua constantemente para fora são sinais claros de que o animal está lutando para regular sua temperatura corporal. Raças de focinho curto, como Pugs, Buldogues e Shih Tzus, enfrentam riscos ainda maiores devido à dificuldade respiratória característica desses animais.
Perigos do calor extremo
O médico-veterinário Claudio Rossi, gerente técnico da Unidade de Animais de Companhia da Ceva Saúde Animal, alerta que o calor intenso pode desencadear problemas graves. “Os cães não transpiram como os humanos, e o calor excessivo pode causar hipertermia, uma condição grave e potencialmente fatal”, explica.
Quando a temperatura corporal do animal ultrapassa os 40°C – podendo chegar a 42°C –, podem ocorrer episódios de vômito, distúrbios de coagulação, edema pulmonar, risco de coma e até morte por parada cardíaca. Por isso, é fundamental ficar atento a sinais como respiração ofegante intensa, salivação excessiva, cansaço, fraqueza, pele muito quente, batimentos cardíacos acelerados ou andar cambaleante. Nesses casos, a orientação é procurar ajuda veterinária imediatamente.
Cuidados essenciais
Durante períodos de calor intenso, algumas medidas simples podem fazer toda a diferença para o bem-estar dos pets:
Horários de passeio: evite sair entre 10h e 16h, quando o sol está mais forte. Antes de caminhar, toque o asfalto com a mão – se estiver quente para você, causará queimaduras graves nas patas do cão.
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Hidratação constante: água fresca deve estar sempre disponível. Pode ser oferecida gelada ou com pedras de gelo. Uma dica criativa é congelar água saborizada com frutas seguras para pets (banana, maçã, melancia) e oferecer para o animal lamber.
Ambientes frescos: nunca deixe o pet sozinho em locais fechados, especialmente dentro de carros. Se o animal fica no quintal, garanta sempre um abrigo sombreado. Em dias muito quentes, use tapetes gelados específicos para cães ou improvise com toalhas úmidas resfriadas no freezer.
Proteção solar: sim, pets também podem ter queimaduras solares! Use protetor solar veterinário em áreas sensíveis como focinho, orelhas e barriga, principalmente em animais de pelagem clara.
Atenção a parasitas: o calor favorece a proliferação de pulgas e carrapatos. Mantenha o uso regular de produtos antiparasitários e, se necessário, trate também o ambiente com orientação veterinária.
Pequenas atitudes preventivas garantem que os pets atravessem as ondas de calor com segurança e saúde. Afinal, eles dependem de nós para expressar o que não conseguem dizer com palavras.



