Umidade prolongada pode favorecer alterações na pele e nas orelhas; veterinária explica como higiene, secagem e alimentação ajudam a proteger os pets
A temporada de chuvas costuma trazer mudanças na rotina da casa, e os pets também sentem o efeito. Para o trimestre de outubro a dezembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê chuvas acima da média climatológica em São Paulo, no Rio de Janeiro e no centro-sul de Minas Gerais. Em cenários de umidade elevada, manter pele e pelagem secas, cuidar dos ambientes e observar possíveis alterações na saúde são medidas que fazem diferença no bem-estar de cães e gatos.
Isso não quer dizer que todo animal vai adoecer quando o tempo fecha. “A chuva e a umidade não significam que o pet necessariamente desenvolverá algum problema de saúde. No entanto, quando a pele e a pelagem permanecem molhadas por períodos prolongados, principalmente em animais que já apresentam sensibilidade cutânea ou alguma predisposição, alguns cuidados precisam ser reforçados”, explica Kelly Carreiro, médica-veterinária da Special Dog Company.
Pele e pelagem no centro das atenções
A saúde da pele é um dos principais pontos de atenção em períodos de chuvas consecutivas. A umidade prolongada pode favorecer a proliferação de microrganismos e contribuir para alterações dermatológicas, sobretudo em animais predispostos. Por isso, depois dos passeios, patas, espaços entre os dedos, orelhas e regiões de dobras merecem atenção especial.
Animais de pelos longos ou densos exigem cuidado redobrado, já que nesses casos a umidade tende a permanecer próxima à pele por mais tempo.
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Sinais que pedem avaliação veterinária
O responsável pelo animal deve ficar atento a mudanças que indiquem desconforto. “Coceira frequente, lambedura excessiva, vermelhidão, descamação, queda de pelos, alteração no odor da pele, crostas, feridas e áreas úmidas ou doloridas estão entre os sinais de alerta. Caso apareçam ou persistam, a recomendação é procurar um médico-veterinário”, orienta Kelly.
Casa seca e rotina ativa
Os cuidados se estendem ao ambiente. Caminhas, cobertores e tapetes devem ser higienizados com regularidade e estar completamente secos antes de voltar ao uso.
A chuva também mexe com a rotina. Passeios mais curtos ou menos frequentes reduzem os estímulos físicos e mentais dos cães, e a alternativa é compensar a menor atividade externa com brincadeiras e enriquecimento ambiental dentro de casa. Para os gatos, especialmente os que vivem apenas em ambientes internos, é importante manter oportunidades de brincadeira, exploração e descanso.
Poças, lama e água de enchente
Outro cuidado é evitar o contato com poças, lama e, principalmente, água de enchentes, que pode estar contaminada e representar riscos à saúde. Problemas respiratórios, otites, alterações dermatológicas e algumas doenças infecciosas estão entre as condições que merecem atenção durante os períodos de chuva e umidade.
Alimentação como aliada
Para cães com sensibilidade cutânea, o cuidado também passa pelo prato. Segundo a veterinária, além da higiene e do acompanhamento profissional, uma nutrição formulada para dar suporte à saúde da pele pode contribuir para a rotina desses animais. Nutrientes como ômegas 3 e 6, biotina e zinco auxiliam na manutenção da barreira cutânea, e o mercado já oferece alimentos que os combinam a fontes proteicas de baixo potencial alergênico. A escolha da dieta, no entanto, deve ser feita com orientação veterinária.
Mais do que associar automaticamente a chuva ao surgimento de doenças, o essencial é manter uma rotina de prevenção ao longo de todo o ano: alimentação completa e balanceada, vacinação e controle de parasitas em dia, higiene adequada e acompanhamento veterinário regular.


