O que muda na escolha de um gato quando a família convive com ele antes de adotar?

Em um cat café de São Paulo, visitantes têm a oportunidade de conhecer os animais antes da adoção, e o contato pode mudar a primeira impressão sobre qual gato levar para casa

 

Nem sempre o gato que chama atenção à primeira vista é o que mais combina com a rotina da família. Observar o comportamento, a personalidade e a forma como o animal se relaciona com as pessoas antes de levá-lo para casa ajuda a fazer uma escolha mais alinhada à realidade da convivência.

O tema ganha relevância diante da quantidade de animais que aguardam uma família na capital paulista. Em abril de 2026, uma ação da Prefeitura de São Paulo reuniu 96 gatos disponíveis para adoção, dentro de um universo de 298 cães e gatos atendidos pela Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap). Segundo o órgão, o processo de adoção também considera o perfil do interessado e as condições necessárias para garantir a guarda responsável.

Conhecer antes de decidir

Uma forma de vivenciar essa aproximação na prática são os cat cafés, espaços que permitem conhecer gatos disponíveis para adoção em um ambiente diferente de um abrigo.

No RONRON Cat Café, que funciona em parceria com a ONG Catland, mais de 495 gatos foram adotados desde dezembro de 2022. A proposta permite que os visitantes tenham contato com os animais e observem seu comportamento antes de decidir pela adoção.

Fundada em 2012 e formalizada em 2014, a Catland atua no resgate, cuidado e adoção responsável de gatos. A organização também desenvolve ações de conscientização sobre guarda responsável e controle populacional de felinos em situação de rua.

Greice Moreti, cofundadora do RONRON, nutricionista, empreendedora e coautora do livro Quem Adotou Quem?, acompanha de perto os encontros entre gatos e possíveis famílias. Segundo ela, o contato pode mudar a percepção inicial de quem chega ao espaço.

“Muitas pessoas chegam imaginando que vão se identificar com um determinado tipo de gato, mas acabam criando vínculo justamente com um animal que não corresponde ao perfil que tinham em mente. Quando existe a oportunidade de conviver, observar e conhecer o gato de verdade, a escolha deixa de estar baseada apenas na aparência e passa a considerar a relação que está sendo construída”, afirma.

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O que a foto não mostra

A convivência prévia pode ajudar a alinhar as expectativas entre famílias e animais. Ao observar como o gato reage às pessoas e ao ambiente, se procura contato ou prefere acompanhar tudo à distância, se é mais agitado ou mais tranquilo, o visitante consegue perceber características de comportamento que dificilmente aparecem em uma fotografia ou em uma descrição.

Está aí uma das curiosidades desse processo: a identificação pode surgir de forma inesperada, inclusive com animais que não despertavam a preferência do visitante à primeira vista.

Uma escolha baseada apenas na aparência não necessariamente traduz como será a convivência dentro de casa. O contato direto permite considerar outros aspectos, como o nível de interação, a adaptação ao ambiente e a maneira como o animal se relaciona com as pessoas.

A adoção começa antes de o gato chegar em casa

Adotar um animal envolve um compromisso de longo prazo, que inclui alimentação, higiene, ambiente adequado e acompanhamento veterinário durante toda a vida.

Para Greice, permitir que pessoas e gatos se conheçam antes também ajuda a tornar essa decisão mais consciente. A experiência dá à família a oportunidade de entender melhor o comportamento do animal e refletir sobre a convivência que pretende construir.

“A adoção não termina quando o gato vai para casa. É ali que começa uma relação que precisa ser construída todos os dias. Por isso, quando a pessoa tem a oportunidade de conhecer aquele animal antes, entender seu jeito e perceber se existe uma conexão, ela consegue tomar uma decisão mais consciente sobre a vida que pretende compartilhar com ele”, completa.

 

 

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