Quem é Tsunami, o border collie que ajuda a resgatar vítimas do terremoto na Venezuela?

Cão farejador certificado em deslizamento de escombros já atuou em catástrofes na Venezuela e na Turquia, e agora integra as buscas após os tremores que atingiram a região de Caracas

 

Entre os agentes humanos e os recursos tecnológicos mobilizados na busca por sobreviventes dos terremotos que atingiram a Venezuela desde a última quarta-feira (24), um integrante peculiar está chamando a atenção do mundo: o Border Collie Tsunami. O cão de 8 anos atua como cão farejador certificado em deslizamento de escombros e tornou-se um dos rostos mais conhecidos das operações de resgate no país.

Segundo as autoridades venezuelanas, os tremores provocaram centenas de mortes, milhares de feridos e deixaram um número expressivo de desaparecidos, concentrados principalmente na região metropolitana de Caracas e no estado costeiro de La Guaira, as áreas mais afetadas. É nesse cenário que Tsunami, ao lado de equipes humanas, passou a atuar na localização de vítimas sob escombros.

Faro treinado para encontrar sobreviventes

Tsunami é responsabilidade de Jorge Beens, fundador e diretor do Centro de Formação de Equipes Caninas de Intervenção em Desastres (K-Sar Ecid), organização venezuelana que participa das operações na região metropolitana de Caracas. O Border Collie passou por um treinamento especializado que o tornou um dos poucos cães certificados no país para farejar vestígios humanos em deslizamentos de escombros, atuando justamente onde equipamentos tecnológicos e buscas manuais encontram mais dificuldade.

Leia mais: 

A capacidade olfativa do cão permite inspecionar estruturas colapsadas em busca de sobreviventes com uma precisão que apoia diretamente o trabalho das equipes humanas. Um dos casos mais recentes ilustra esse papel: graças ao rastreamento de Tsunami, um homem de 60 anos foi localizado e resgatado entre os escombros de um edifício no bairro de San Bernardino, em Caracas.

Histórico de missões humanitárias

A atuação de Tsunami em operações de resgate não é recente. O cão integra as equipes de busca desde o fim de 2017 e já participou de missões marcantes ao longo dos últimos anos. Em outubro de 2022, foi mobilizado nas tragédias de Las Tejerías e El Castaño, na Venezuela, provocadas por fortes tempestades que atingiram o estado de Aragua. Em 2023, esteve na Turquia, ajudando nas buscas após o terremoto que matou mais de 50 mil pessoas no país.

Antes de se tornar um cão de busca e resgate, Tsunami foi resgatado pela Associação Pró-Defesa dos Animais (Aproa), ONG venezuelana, após sofrer maus-tratos e ser abandonado. A trajetória do animal, que passou de vítima de abandono a agente ativo em operações humanitárias, ajuda a explicar parte da repercussão que sua história ganhou nas redes sociais nos últimos dias.

Tsunami não atua isolado. Equipes de resgate canino de outros países da região, como México, Colômbia, El Salvador, República Dominicana e Chile, somaram-se às operações na Venezuela, além de uma dúzia de cães vindos dos Estados Unidos. O reforço internacional ilustra a importância que o trabalho farejador, humano e canino, ganhou nas buscas por sobreviventes em meio à destruição deixada pelos tremores.

Relacionadas

- Publicidade -spot_img

Últimas notícias