Uso de sedativos pode comprometer a respiração e mascarar sinais de sofrimento do animal; adaptação à caixa de transporte é a alternativa mais indicada por veterinários e entidades internacionais
Com o aumento das viagens aéreas com cães e gatos, cresce também a busca por informações sobre como garantir o bem-estar dos animais durante o transporte. Entre as dúvidas mais frequentes está o uso de sedativos antes do embarque, uma prática que, apesar de ainda ser considerada em situações específicas, é cercada de riscos pouco conhecidos pelos responsáveis pelos animais.
Especialistas em medicina veterinária e as principais entidades internacionais de transporte aéreo alertam que a sedação não deve ser tratada como solução automática. A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) recomenda que a prioridade seja a adaptação comportamental do animal e o uso adequado das caixas de transporte, e não a sedação como medida padrão.
Os riscos que a sedação traz
Medicamentos sedativos podem causar depressão do sistema respiratório e cardiovascular, efeitos que se tornam ainda mais perigosos no ambiente da aeronave, onde há variações de pressão e estresse adicional. Além disso, o animal sedado perde reflexos naturais de proteção, como o equilíbrio e a capacidade de se reposicionar dentro da caixa de transporte, aumentando o risco de acidentes durante o voo.
Outro ponto de atenção é que a sedação pode mascarar sinais de sofrimento do animal, justamente aqueles que permitiriam ao responsável ou à tripulação identificar uma situação de risco. Quando o pet precisa de medicação com efeito sedativo para conseguir viajar, o caso deve ser reavaliado junto ao médico-veterinário antes do embarque.
Preparação antecipada é o caminho mais seguro
A alternativa mais eficaz e recomendada pela comunidade veterinária é a adaptação gradual à caixa de transporte, iniciada semanas antes da viagem. Associada a passeios antes do embarque e ao manejo adequado da alimentação e hidratação nas horas que antecedem o voo, essa preparação tende a reduzir o desconforto de forma mais segura e eficaz do que qualquer medicação.
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Para Juliana Stephani, CEO da PETFriendly Turismo, empresa especializada no transporte de pets em viagens nacionais e internacionais, o tema exige individualização. Segundo ela, a sedação não deve ser uma decisão automática. Cada caso precisa ser avaliado individualmente por um médico-veterinário, levando em conta o perfil e as condições de saúde do animal. Na maioria das situações, a preparação antecipada, com adaptação à caixa de transporte e manejo adequado antes do voo, já é suficiente para reduzir o estresse e tornar a experiência mais tranquila tanto para o animal quanto para o responsável.
A recomendação geral é clara: antes de qualquer viagem aérea com pets, o responsável pelo animal deve consultar um veterinário de confiança, discutir as condições específicas do animal e planejar a adaptação com antecedência, sem depender da sedação como atalho.



