Adriane Gonçalves cuida de uma família de 15 animais no interior do Rio de Janeiro e virou fenômeno nas redes sociais com o Boi Churrasco, seu filho bovino de quase 1 milhão de seguidores
Tem mãe que cria filho na barriga. Tem mãe que cria na varandinha. E tem Adriane Gonçalves, que cria filho humano, 9 cachorros, 1 gata e 3 bovinos — e diz, sem titubear, que o amor é o mesmo para todos eles. No Dia das Mães, a história dessa família multiespécie de Anta, distrito de Sapucaia (RJ), é um lembrete de que ser mãe é, acima de tudo, uma escolha de cuidar.
Da filha humana aos filhos com chifres
Adriane já era mãe quando tudo começou. Sua filha Rakelli tem 17 anos e já lhe deu uma netinha, Luara, de 1 ano e 11 meses. Mas a família foi crescendo de formas que ela nunca imaginou. “Depois da minha filha, da minha filha humana, no caso, vieram os meus filhos pet, que são a minha paixão. E, com o tempo, chegaram também os meus filhos bovinos”, conta.
A história com os bovinos começou em 2024, quando ela e o marido Adriano se mudaram para uma chácara na região e ele trouxe um bezerrinho para ajudar a controlar o mato e o capim do terreno. O filhote era um tabanel, cruzamento de tabapuã com nelore. O que era uma solução prática virou laço de afeto. O bezerro ganhou nome: Churrasco.
Churrasco, Farofa, Vinagrete e a família que foi crescendo
Hoje, o Boi Churrasco tem 3 anos e meio, é dócil e muito carismático. O perfil dele se aproxima da marca de 1 milhão de seguidores nas redes sociais. Churrasco foi o primeiro pet bovino da família. Depois veio a Farofa, bezerra de 6 meses, que ainda divide o dia entre a mamadeira e a ração. Por último chegou Vinagrete, de 9 meses, que já desmamou sozinho, como costuma acontecer com bovinos criados nesse regime.
Na varanda do sítio, bovinos e cães dividem o mesmo espaço e, às vezes, o mesmo horário de dormir. Quem ajuda a “colocar os pets para dormir” é a própria neta de Adriane, a pequena Luara. O video delas “cantando” para os animais dormirem emociona.
Conhecendo a família de Adriane Gonçalves
Filhos humanos
- Rakelli (filha, 17 anos) e Luara (neta, 1 ano e 11 meses)
Cachorros (9)
- Apolo (3 anos), Cristal (3 anos), Julieta (8 anos)
- Bolota, Meloso, Serrote, Salsicha, Picanha, Vitória (todos com 10 meses)
Gata (1)
- Mia (3 anos)
Bovinos (3)
- Churrasco, boi de 3 anos e meio
- Vinagrete, bezerro de 9 meses
- Farofa, bezerra de 6 meses
“Mãe é quem ama, quem cuida, quem protege”
Para Adriane, a definição de mãe vai além da biologia. “Mãe não é só quem gera. Mãe é quem ama, quem cuida, quem dá atenção, carinho, quem dedica seu tempo, quem alimenta, quem protege”, afirma. E ela inclui nessa conta cada um dos seus 15 animais, dos filhotes de 10 meses aos bovinos que ocupam a varanda.
A responsável pelos animais conta que a experiência com bovinos a desafia todos os dias. “É algo que eu nunca imaginei viver. Então eu busco aprender todos os dias, pesquiso muito, conto com a ajuda do veterinário, tenho acompanhamento para tudo que eles precisam.” Um dos aprendizados é curioso: bovinos criados de perto precisam de sal mineral, item que repõe nutrientes que o pasto não oferece em quantidade suficiente e que é fundamental para a digestão, a ruminação e o equilíbrio do organismo.
Uma casa onde todo mundo espera a mãe chegar
No dia a dia do sítio, a chegada de Adriane é um evento. Cachorros correm até a porteira, entram no carro antes mesmo dela descer, pulam, latem, disputam o primeiro carinho. Os bovinos acompanham e, do lado de fora, ficam parados, esperando a porta da casa abrir. O Churrasco, além de pedir banana na janela, às vezes arranca um matinho do chão e leva até a janela, como quem entrega uma flor. “Ele chega com o matinho e fica lá, esperando”, conta Adriane, ainda encantada com o gesto depois de anos. Todos os dias têm um ritual no final da tarde: ela chama todos para perto e, aos poucos, todos obedecem. Bovinos, cachorros, cada um no seu ritmo, mas todos em direção à mesma voz. Depois disso, é hora do carinho.
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Adriane conta que, de todos, quem mais deu trabalho no começo foi o cachorro Apolo, que chegou ao sítio abandonado às margens de uma estrada e fugia todos os dias. “Era como se ele ainda esperasse o dono voltar. Chegou a ser atropelado”, conta. Com o tempo, foi entendendo que agora era ali o lugar dele. Hoje é um dos primeiros a correr até a porteira quando Adriane chega.
O amor de mãe não tem limite, nem espécie
Adriane teve seu primeiro filho pet, o Nick, antes mesmo de ter Rakelli. “Ele acompanhou tudo, viu minha filha crescer. E quando já tinha 17 anos, ele partiu de velhice.” Depois dele, ficou um vazio que demorou anos para ser preenchido.
Quando foi morar com o marido Adriano, que já tinha três cachorros e dois filhos humanos, o amor pelos animais voltou com força. “Parece que Deus foi colocando todos no meu caminho de novo, no momento certo”, reflete. E então veio o Churrasco. Depois a Farofa. Depois o Vinagrete. “Ser mãe de bovino tem me desafiado muito, porque é algo que eu nunca imaginei viver. Mas o amor só foi crescendo”, completa.
Hoje, naquela varanda em Anta, vó e neta cantam juntas na hora de dormir, enquanto bovinos e cães aguardam quietos. Para Adriane, isso é simplesmente ser mãe. “Ser mãe de pet não muda muito de ser mãe de um filho que a gente gera na barriga. O cuidado é o mesmo, a atenção é a mesma. É um ser que vai depender de você para o resto da vida.”



