Projeto desenvolvido pelo CEJAM capacita profissionais da Atenção Primária para identificar situações de risco nas comunidades da zona sul de São Paulo
A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), gerou comoção em todo o país. Vítima de maus-tratos, o animal foi encontrado com ferimentos graves e submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro. Casos como esse ampliam o debate sobre a violência contra animais e evidenciam sua conexão com à saúde humana.
Em São Paulo, o CEJAM — Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, organização social que atua na gestão de serviços de saúde em parceria com o poder público, desenvolve o Projeto Magrão, fundamentado na “Teoria do Elo”. Segundo essa abordagem, maus-tratos a animais podem indicar situações de violência interpessoal, como agressões físicas, psicológicas, patrimoniais e negligência, especialmente em contextos de convivência próxima.
A iniciativa teve início em 2024 em duas unidades da zona sul da capital paulista, a UBS Alto da Riviera, no Jardim Ângela, e a UBS Jardim Germânia, em Campo Limpo, e foi ampliada em agosto de 2025 para as 30 Unidades Básicas de Saúde da região sob gestão do CEJAM, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP).
A identificação dos casos tem início com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que atuam junto às famílias e à comunidade. Diante de uma suspeita, o Agente de Proteção Ambiental (APA) da unidade é acionado e o caso passa a ser discutido de forma integrada, envolvendo ACS, APA, Núcleos de Prevenção de Violência (NPV) e, quando necessário, equipes de assistência social, a fim de garantir o acolhimento e os encaminhamentos necessários.
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Em dezembro de 2025, o projeto passou a contar com um instrumento específico de acompanhamento dos casos, com a inclusão de um campo no VIGIMASTER, sistema de monitoramento do CEJAM, destinado ao registro das notificações classificadas como “Teoria do Elo”.
Para Lúcia Gatti, gerente de Serviços de Saúde da Atenção Primária do CEJAM, o projeto transformou a cultura de vigilância nas unidades. “O Projeto Magrão já despertou em todos os envolvidos, como lideranças, colaboradores e conselheiros gestores, um olhar extremamente atento aos possíveis sinais de violência interpessoal. Mesmo diante dos desafios, a iniciativa permite uma ação planejada para a abordagem das violências em suas mais diversas formas”, destaca.
A experiência desenvolvida em São Paulo reforça a Atenção Primária como um espaço estratégico para a identificação precoce de situações de violência. Com o Projeto Magrão, o CEJAM reafirma seu compromisso com o cuidado integral em saúde, fortalecendo a proteção de pessoas e animais em contextos de vulnerabilidade.



