Sexta-feira 13: pesquisa revela que superstição ainda afasta famílias de adotar gatos pretos no Brasil

Estudo inédito realizado em fevereiro de 2026 mostra que 68% das ONGs já receberam relatos de abandono ligados a crenças; pelagem preta é o principal fator que retarda a adoção desses animais

 

Hoje é sexta-feira 13. Para a maioria das pessoas, a data passa como qualquer outra, mas para muitos animais a realidade é bem diferente. Neste momento, há gatos pretos esperando adoção em abrigos de todo o Brasil. Para eles, sexta-feira 13 não é superstição; é mais um dia de espera. É o que revela uma pesquisa inédita realizada em fevereiro de 2026 pela iniciativa social Cobasi Cuida, da rede Cobasi, com mais de 40 organizações de proteção animal em todo o país.

Os dados são contundentes: 68% das ONGs participantes já receberam relatos ou indícios de abandono de gatos pretos motivados por superstições ou crenças pessoais. Mais do que isso, esses animais levam mais tempo para ser adotados do que gatos de outras pelagens. Uma realidade que especialistas atribuem tanto à estética quanto ao imaginário cultural que ainda associa o felino de pelo preto ao azar e à bruxaria.

Pesquisa Cobasi Cuida — Abandono e Adoção de Gatos Pretos (fev/2026)

ONGs que receberam relatos de abandono ligados a superstições

68%

Dificuldade de adoção por preferência estética

39%

Dificuldade de adoção por superstições ou crenças

23%

ONGs que já realizaram campanhas específicas para gatos pretos

51%

ONGs com cuidados extras em datas como sexta-feira 13 e Halloween

97%

Uma crença com raízes medievais

A associação entre gatos pretos e mau agouro não é nova, ela remonta à Europa medieval, quando esses animais passaram a ser ligados à bruxaria e ao sobrenatural. Séculos depois, essa visão ainda influencia parte da sociedade e se traduz em consequências reais: abandono, baixa adoção e, em casos extremos, maus-tratos.

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“Gatos pretos acabam sendo ignorados em eventos de adoção ou deixados por último nas escolhas das famílias. No fim, são animais que permanecem mais tempo nos abrigos simplesmente por causa da cor da pelagem”, afirma Daniela Bochi, gerente de Marketing da Cobasi.

O que as ONGs estão fazendo

Diante desse cenário, muitas organizações desenvolveram estratégias específicas para aumentar as chances de adoção dos gatos pretos. Segundo a pesquisa, 51% das ONGs já realizaram campanhas voltadas especificamente para esses animais.

Iniciativas que mais contribuem para aumentar o interesse do público

Feiras presenciais de adoção (34%)
Divulgação em redes sociais (29%)
Uso de fotos profissionais dos animais (20%)
Parcerias com marcas e influenciadores (15%)

Em datas associadas a superstições, como sextas-feiras 13 e o Halloween, 97% das ONGs adotam cuidados extras. Entre as medidas mais comuns estão a suspensão temporária das adoções, triagens mais rigorosas e a não exposição desses animais em feiras durante esses períodos. Uma precaução que revela o quanto a crença ainda é levada a sério, mesmo que de forma indireta.

Personalidade não tem cor

Especialistas e organizações são unânimes: independentemente da pelagem, todo gato tem personalidade, comportamentos e necessidades próprias. Combater o preconceito contra gatos pretos passa por informação, visibilidade e, sobretudo, por histórias reais de adoção que mostrem o quanto esses animais podem transformar a vida das pessoas.

A pesquisa da Cobasi Cuida entrevistou em profundidade três ONGs de proteção animal, que convergiram na necessidade de ampliar campanhas educativas. O consenso é claro: enquanto a cor da pelagem continuar sendo um critério de escolha ou pior, muitas vezes de descarte, muito trabalho a fazer.

Nesta sexta-feira 13, a mensagem é simples: se você está pensando em adotar um gato, talvez seja a hora de dar uma chance à pelagem que mais precisa dela.

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